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Joost de Blank

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Cônego da Abadia de Westminster
Informações
Diocese Diocese da Cidade do Cabo
Eleito em 1957
Antecessor Geoffrey Hare Clayton
Sucessor Robert Selby Taylor
Outro cargo Bispo de Stepney (1952 - 1957)
Nascimento Roterdã, Holanda do Sul
14 de novembro de 1908
Morte Cidade de Westminster, Grande Londres
1 de janeiro de 1968 (59 anos)
Alma mater Queens' College, Cambridge

Joost de Blank (14 de novembro de 1908 – 1 de janeiro de 1968) foi um bispo anglicano britânico nascido na Holanda. Ele foi arcebispo da Cidade do Cabo de 1957  a 1963 e era conhecido por sua oposição ao Apartheid.

Formação e sacerdócio

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De Blank nasceu em Roterdã, Holanda, em uma família abastada, como um dos seis filhos de Joost de Blank e sua esposa Louisa (Quispel), antes da família se mudar para Londres. Eles também trocaram a Igreja Reformada Holandesa pela Igreja Presbiteriana. O jovem Joost foi educado na Merchant Taylors' School e ingressou na Igreja da Inglaterra logo após ingressar no Queens College, Cambridge.[1][2] Ele tornou-se cidadão britânico quando criança em 1921.[3]

Foi ordenado após um período de estudos em Ridley Hall, Cambridge, em 1932.[4] Depois, serviu como pároco em Worcester antes de se tornar o vigário mais jovem de Londres em 1937. Nesse ínterim, ele havia escrito "The Parish in Action", que se tornou leitura obrigatória em escolas teológicas anglicanas.[2]

Durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1939-1944, ele foi capelão do exército[5][6] até ser gravemente ferido.[1] Ao longo da vida, ostentou uma cicatriz na têmpora direita, onde foi atingido por estilhaços.[2] De 1948 a 1952, foi Secretário-Geral Assistente do Movimento Estudantil Cristão, antes de se tornar Vigário de São João Batista, Greenhill, Harrow.[6]

Episcopado

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Em 1952, foi nomeado Bispo de Stepney, bispo sufragâneo na Diocese de Londres.[7] A Rainha o nomeou capelão (subprelado) da Venerável Ordem de São João em 1954.[8]

Em 1957, tornou-se Arcebispo da Cidade do Cabo e Metropolita da Província da África do Sul. Durante seu curto governo, ele logo se opôs veementemente ao apartheid e atraiu a ira dos africâneres em várias ocasiões.[2] Recusou-se a pregar em qualquer igreja que não fosse aberta a negros e brancos; e se opôs à cláusula 29 do Projeto de Emenda à Lei dos Nativos, que dava às autoridades civis poderes para excluir não brancos das igrejas anglicanas.[6] Em uma declaração pública, anunciou que renunciaria ao cargo e retornaria à Europa se o Primeiro-Ministro Hendrik Verwoerd, o principal expoente do apartheid, concordasse em fazer o mesmo.[9]

Em abril de 1960, o arcebispo fez um apelo pela expulsão da Igreja Reformada Holandesa da África do Sul do Conselho Mundial de Igrejas devido sua omissão em relação ao regime. Vários líderes protestantes se juntaram à denominação para repudiar o que chamaram de "posição extrema" do Arcebispo. Também foi visto como "mais um insulto" o ato de colocar uma placa na entrada da Catedral Anglicana de São Jorge, na Cidade do Cabo, afirmando que ela estava aberta a todas as pessoas, independente de raça ou de momento.[2][9]

Problemas de saúde o forçaram a renunciar à Cidade do Cabo em 1963.[6] Retornando à Inglaterra, em janeiro de 1964 foi nomeado cônego residente da Abadia de Westminster.[10] Em janeiro de 1966, aceitou tornar-se o Bispo de Hong Kong, mas em junho, devido à doença, decidiu não aceitar a nomeação por recomendação médica.[6][9] Em seguida, foi anunciado que ele seria presidente do Comitê de Conciliação da Grande Londres, uma organização consultiva que lida com relações raciais. Ele também foi nomeado presidente do Comitê do Reino Unido para o Ano dos Direitos Humanos, 1968.[9]

O Dr. de Blank estava semiconvalescente desde julho de 1967, após sofrer um grave derrame cerebral. Ele sofreu outro derrame no dia anterior à sua morte, falecendo no Hospital Nacional de Doenças Nervosas, aos 59 anos.[9]

As cinzas do Arcebispo e as de sua irmã Bartha, que morava com ele na Abadia de Westminster, estão enterradas na nave da igreja, em frente à entrada da Capela de São Jorge.[1][11]

Referências

  1. 1 2 3 «Joost de Blank». Westminster Abbey (em inglês). Consultado em 29 de setembro de 2025
  2. 1 2 3 4 5 «Africa's Angry Anglican; Joost de Blank». The New York Times (em inglês). 3 de março de 1961. Consultado em 29 de setembro de 2025
  3. «Nº 32344». The London Gazette. 3 de junho de 1921. Consultado em 29 de setembro de 2025
  4. Press, Oxford University (1976). Crockford's Clerical Directory: A Reference Book of the Clergy of the Provinces of Canterbury and York and of Other Anglican Provinces and Dioceses (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press. Consultado em 29 de setembro de 2025
  5. «Nº 34886». The London Gazette. 28 de junho de 1940. Consultado em 29 de setembro de 2025
  6. 1 2 3 4 5 «Archive of Joost de Blank, archbishop of Cape Town - Archives Hub». archiveshub.jisc.ac.uk. Consultado em 29 de setembro de 2025
  7. «Nº 39597». The London Gazette. 15 de julho de 1952. Consultado em 29 de setembro de 2025
  8. «Nº 40073». The London Gazette. 12 de janeiro de 1954. Consultado em 29 de setembro de 2025
  9. 1 2 3 4 5 «Joost de Blank, Apartheid Foe As Capetown Archbishop, Dies; He Clashed With Government Over Racial Policies -- Infuriated Nationalists». The New York Times (em inglês). 2 de janeiro de 1968. Consultado em 29 de setembro de 2025
  10. «Nº 43228». The London Gazette. 24 de janeiro de 1964. Consultado em 29 de setembro de 2025
  11. Jenkyns, Richard (15 de outubro de 2011). Westminster Abbey (em inglês). [S.l.]: Harvard University Press. p. 74. Consultado em 29 de setembro de 2025

Ligações externas

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