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MPB4

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
MPB4
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Informações gerais
OrigemNiterói, RJ
PaísBrasil
Gênero(s)MPB, bossa nova
Período em atividade1965–presente
Afiliação(ões)Chico Buarque, Quarteto em Cy, Toquinho, Milton Nascimento
IntegrantesDalmo Medeiros (1ª voz)
Paulo Malaguti Pauleira (2ª voz)
Aquiles Rique Reis (3ª voz)
Miltinho (4ª voz)
Ex-integrantesRuy Alexandre Faria (1ª voz)
Magro Waghabi (2ª voz)
Página oficialSítio oficial

MPB4 é um conjunto vocal e instrumental brasileiro formado na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, em 1965. A sua primeira formação foi composta por Miltinho, Magro, Aquiles e Ruy Faria.

Reconhecido como um dos mais longevos e importantes grupos vocais do país, o MPB4 construiu um repertório calcado na MPB e no samba, notabilizando-se pelas harmonias vocais complexas e pela forte parceria histórica com o compositor Chico Buarque.

Biografia

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Formação e festivais (década de 1960)

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MPB4, anos 1960. Arquivo Nacional.

A gênese do grupo ocorreu em 1964, no efervescente ambiente universitário e político fluminense. Aquiles, Magro, Ruy e Miltinho integravam o Centro Popular de Cultura (CPC), núcleo de agitação cultural vinculado à União Nacional dos Estudantes (UNE). Magro e Miltinho, ambos com formação musical prévia (Magro com estudos de teoria musical sob a tutela de Eumir Deodato e Isaac Karabtchevsky), eram estudantes de Engenharia na Universidade Federal Fluminense (UFF). Ruy era graduado em Direito e atuava na cena noturna como crooner, enquanto Aquiles era ainda estudante secundarista.

Fortemente influenciados pela harmonia da bossa nova e por conjuntos vocais como Os Cariocas e Tamba Trio, decidiram profissionalizar-se em 1965, migrando para São Paulo. A profissionalização exigiu um trâmite legal: como Aquiles era menor de idade, Ruy Faria assumiu formalmente a sua tutela para viabilizar os contratos do grupo.

Em São Paulo, o quarteto alinhou-se à nascente MPB de protesto. Iniciaram uma parceria simbiótica e fundamental com Chico Buarque, atuando como seus "escudeiros vocais" em diversas apresentações e gravações ao longo de uma década. Em 1967, no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, obtiveram destaque nacional ao interpretar "Gabriela" e ao acompanhar Chico Buarque no antológico dueto de "Roda Viva" (3º lugar).[1]

Do ponto de vista técnico, a sonoridade do MPB4 sofreu uma reestruturação fundamental em 1968. Até então, a divisão vocal era composta por Ruy (1ª voz), Magro (2ª), Miltinho (3ª) e Aquiles (4ª). Após Aquiles iniciar estudos formais de bel canto e impostação vocal, os arranjos foram reorganizados, invertendo as posições de base: Miltinho assumiu a 4ª voz e Aquiles a 3ª voz, estabelecendo a tessitura harmônica clássica que definiria o grupo nas décadas seguintes.

Consolidação e censura (década de 1970)

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MPB4, anos 1960. Arquivo Nacional.

A década de 1970 marcou o ápice criativo do MPB4, mas também o período de maior atrito com a repressão institucional da ditadura militar. A associação pregressa ao CPC da UNE e a ligação visceral com a obra de Chico Buarque (que se encontrava autoexilado na Itália) colocaram o grupo sob o escrutínio constante dos censores.

O grupo enfrentou severas dificuldades financeiras devido à interrupção arbitrária de espetáculos. Para contornar a censura e garantir a viabilidade profissional, o quarteto precisou adotar negociações diretas em Brasília e subterfúgios técnicos. Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em 1973: proibidos de assinar a música-tema da telenovela O Bem-Amado (composta por Toquinho e Vinicius de Moraes), os integrantes gravaram a faixa de forma anônima sob o pseudônimo de "Coral Som Livre".

Apesar do cerco político, a produção discográfica foi aclamada. O LP Deixa Estar (1970) marcou a emancipação artística do grupo em relação a Chico Buarque, impulsionado pelo sucesso de "Amigo é pra essas coisas" (de Aldir Blanc e Sílvio da Silva Júnior). O álbum Cicatrizes (1972) evidenciou a sofisticação dos arranjos instrumentais e vocais de Magro Waghabi, rendendo ao MPB4 o prêmio de Melhor Conjunto Vocal pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

O quarteto também participou de eventos históricos de resistência cultural, como o espetáculo coletivo Phono 73, consolidando o seu papel como uma das vozes mais politizadas da música brasileira daquele período.

Projetos conjuntos e mudanças (década de 1980–presente)

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Ao longo das décadas seguintes, o grupo diversificou o seu repertório. Nos anos 1980, produziram discos voltados ao público infantil, como Flicts (1980, com o Quarteto em Cy) e Adivinha o que é (1981). A parceria com o Quarteto em Cy rendeu novos frutos nos anos 1990 e 2000, gerando turnês e discos conjuntos, como Bate-Boca (1997) e Vinícius - A Arte do Encontro (2000).

Em 2004, a formação original sofreu a sua primeira alteração estrutural. Ruy Faria deixou o quarteto devido a divergências internas, sendo substituído por Dalmo Medeiros (ex-integrante do grupo Céu da Boca). Em agosto de 2012, o grupo sofreu a perda de Magro Waghabi, que faleceu aos 68 anos, vítima de câncer.[2] Para ocupar a 2ª voz, foi oficializado o cantor e arranjador Paulo Malaguti Pauleira, também ex-integrante do Céu da Boca e do Arranco de Varsóvia.[3] Ruy Faria viria a falecer alguns anos depois, em janeiro de 2018, aos 80 anos.[4]

Com a nova formação, o MPB4 continuou a sua produção discográfica e rotina de espetáculos. Venceram o Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Grupo de MPB em 2017 pelo álbum comemorativo de meio século de carreira, O Sonho, a Vida, a Roda Viva! (Selo Sesc).

Integrantes

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Formação atual

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  • Dalmo Medeiros – 1ª voz (2004–presente)
  • Paulo Malaguti Pauleira – 2ª voz e teclado (2012–presente)
  • Aquiles – 3ª voz (1965–presente)
  • Miltinho – 4ª voz e violão (1965–presente)

Ex-integrantes

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Discografia parcial

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  • 1966 — MPB4
  • 1967 — MPB-4
  • 1968 — MPB-4
  • 1970 — Deixa Estar
  • 1971 — De Palavra Em Palavra
  • 1972 — Cicatrizes
  • 1974 — Antologia do Samba
  • 1974 — Palhaços & Reis
  • 1975 — 10 Anos Depois
  • 1976 — Canto dos Homens
  • 1977 — Antologia do Samba nº 2
  • 1978 — Cobra de Vidro
  • 1979 — Bons Tempos, Hein?!
  • 1980 — Vira Virou
  • 1980 — Flicts (com Sérgio Ricardo e Quarteto em Cy)
  • 1981 — Adivinha o que É?
  • 1981 — Tempo Tempo
  • 1983 — Caminhos Livres
  • 1984 — 4 Coringas
  • 1987 — Feitiço Carioca - do MPB-4 para Noel Rosa
  • 1989 — Ao Vivo - do show Amigo é pra essas coisas
  • 1991 — Sambas da Minha Terra
  • 1993 — Encontro Marcado - MPB-4 canta Milton Nascimento
  • 1995 — Arte de Cantar - MPB-4 ao vivo
  • 1997 — Bate-boca - Quarteto em Cy e MPB-4
  • 1998 — Somos Todos Iguais - Quarteto em Cy e MPB-4
  • 2000 — Vinícius - A Arte do Encontro (com Quarteto em Cy)
  • 2000 — MPB-4 e a Nova Música Brasileira
  • 2007 — MPB-4 40 Anos Ao Vivo
  • 2008 — Toquinho e MPB-4 - 40 Anos de Música
  • 2012 — Contigo Aprendi
  • 2016 — O Sonho, a Vida, a Roda Viva!
  • 2024 — 60 Anos de MPB
  • 1972 — Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) (Categoria: Conjunto Vocal)
  • 1988 — Prêmio da Música Brasileira (Categoria: Melhor Grupo de MPB)
  • 1990 — Prêmio da Música Brasileira (Categoria: Melhor Grupo de MPB)
  • 1996 — Prêmio da Música Brasileira (Categoria: Melhor Grupo de MPB)
  • 2017 — Prêmio da Música Brasileira (Categoria: Melhor Grupo de MPB)

Referências

Ligações externas

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