Osama bin Laden
Osama bin Laden | |
|---|---|
| أسامة بن لادن | |
Bin Laden, c. 1997–1998 | |
| 1.° Emir-geral da Al-Qaeda | |
| Período | 11 de agosto de 1988 a 2 de maio de 2011 |
| Antecessor(a) | Posição estabelecida |
| Sucessor(a) | Ayman al-Zawahiri |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | Osama bin Muhammad bin 'Awad bin Laden |
| Nascimento | 10 de março de 1957 Riade, Arábia Saudita |
| Morte | 2 de maio de 2011 (54 anos) Abbottabad, Paquistão |
| Nacionalidade | árabe-saudita (1957–1994) apátrida (1994–2011) |
| Progenitores | Mãe: Hamida al-Attas Pai: Muhammad bin Ladin |
| Cônjuge | 6 esposas
|
| Filhos(as) | 24 |
| Parentesco | Família bin Laden |
| Religião | Islã (Uaabismo/Salafismo) |
| Serviço militar | |
| Lealdade | Maktab al-Khidamat (1984–1988) Al-Qaeda (1988–2011) |
| Anos de serviço | 1984–2011 |
| Conflitos | Guerra Afegã-Soviética Guerra ao Terror Guerra do Afeganistão |
Osama bin Muhammad bin 'Awad bin Laden[a] (em árabe: أسامة بن محمد بن عوض بن لادن; romaniz.: ʾUsāmah bin Muḥammad bin ʿAwaḍ bin Lādin; Riade, 10 de março de 1957 – Abbottabad, 2 de maio de 2011) foi o fundador e primeiro emir-geral da al-Qaeda, de 1988 até sua morte, em 2011. Jihadista salafista, bin Laden procurou estabelecer um califado pan-islâmico usando a al-Qaeda para organizar e financiar militantes jihadistas e terroristas em todo o mundo. Os ataques terroristas da al-Qaeda contra os Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 mataram diretamente 2 977 vítimas e deram origem à Guerra ao Terror em escala mundial.
Bin Laden foi criado no islã sunita por sua rica família na Arábia Saudita. Deixou o país durante a Guerra Soviético-Afegã (1979–1989) para ajudar os mujahidin afegãos a combater a ocupação do Afeganistão pela União Soviética. Em 1984, cofundou o Maktab al-Khidamat, que recrutava estrangeiros para os mujahidin afegãos, além de financiá-los e armá-los. Em 1988, bin Laden fundou a al-Qaeda. Depois que os soviéticos deixaram o Afeganistão em 1989, comandou uma força de mujahidin na Guerra Civil Afegã de 1989–1992. Ao retornar à Arábia Saudita, promoveu publicamente causas antiocidentais e se opôs à família real saudita, o que levou o governo a expulsá-lo do país em 1991. Retornou ao Afeganistão e, mais tarde naquele ano, mudou-se para o Sudão.
No Sudão, bin Laden liderou os esforços da al-Qaeda e de seus aliados na Guerra Civil Afegã de 1992–1996, na Guerra Civil Argelina (1992–2002) e na Guerra da Bósnia (1992–1995). Em 1993, a al-Qaeda atacou com uma bomba o World Trade Center, em Nova Iorque, ferindo mil pessoas. Em 1996, o Sudão expulsou bin Laden, que voltou a se mudar para o Afeganistão, país que ficou sob o controle do Talibã ainda naquele ano. A al-Qaeda aliou-se ao Talibã, e ambos colaboraram na Guerra Civil Afegã de 1996–2001. Em 1996 e 1998, bin Laden declarou guerra santa contra os norte-americanos, tanto militares quanto civis. Em 1998, a al-Qaeda atacou embaixadas dos Estados Unidos na África Oriental, levando os Estados Unidos e as Nações Unidas a declará-lo oficialmente terrorista. Naquele ano, a al-Qaeda também iniciou uma insurgência no Iêmen que ainda prossegue.
Os ataques de 11 de setembro foram planejados principalmente por bin Laden e Khalid Sheikh Mohammed, e a operação foi possivelmente financiada pela Arábia Saudita, apesar da expulsão anterior de bin Laden. Nos ataques, 19 integrantes da al-Qaeda sequestraram quatro aviões de passageiros norte-americanos para lançá-los contra marcos dos Estados Unidos. Um atingiu o Pentágono, na Virgínia; outro caiu na Pensilvânia antes de alcançar o alvo desconhecido dos sequestradores em Washington, D.C.; e os demais atingiram o World Trade Center, causando seu desabamento — o que, até o momento, resultou em mais de 6 mil mortes decorrentes da exposição por inalação. Ao todo, 25 mil pessoas ficaram feridas. Os ataques levaram à aprovação de rigorosas leis antiterrorismo em todo o mundo, enquanto teve início uma caçada internacional a bin Laden. Os Estados Unidos invadiram o Afeganistão e derrubaram o Talibã, obrigando-o a se mudar para o Paquistão.
Enquanto bin Laden permanecia escondido, a al-Qaeda combateu os Estados Unidos e seus aliados na Guerra do Afeganistão (2001–2021) e na Guerra do Iraque (2003–2011), ao mesmo tempo que continuou a realizar grandes ataques terroristas em várias partes do mundo. Em 2010, os serviços de inteligência dos Estados Unidos descobriram o complexo de bin Laden em Abbottabad, no Paquistão. Uma equipe dos SEALs da Marinha dos Estados Unidos invadiu o complexo e matou-o em seu interior, em 2011. Seu vice, Ayman al-Zawahiri, sucedeu-lhe como emir da al-Qaeda. Pesquisas indicam que os muçulmanos em geral têm uma visão negativa de bin Laden, embora muitos islamistas o considerem um herói. Em outras partes do mundo, ele é visto majoritariamente como símbolo do terrorismo e do assassinato em massa.
Nome e termos
[editar | editar código]O nome de bin Laden é mais frequentemente romanizado do árabe como Osama bin Laden, mas também pode ser grafado com as formas Usama e bin Ladin. Em geral, durante sua vida, a Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos referia-se internamente a ele como Usama bin Laden e usava o acrônimo "UBL".[2][3] Seu nome foi dado em homenagem a Usama ibn Zayd, um dos companheiros de Maomé; Usama significa "leão".[4] Bin, também grafado ibn, significa "filho de";[5] o nome completo de bin Laden, conforme grafado aqui, é Osama bin Muhammad bin 'Awad bin Laden — Osama, filho de Muhammad, filho de Awad, filho de Laden.[6] O nome de seu pai, Muhammad, é grafado aqui como Muhammad bin Ladin.[7][8]
A convenção linguística árabe seria referir-se a Osama como 'Osama', 'Osama bin Laden' ou romanizações semelhantes, e não apenas como bin Laden, pois bin Laden é um patronímico, não um sobrenome à maneira do mundo ocidental.[9] No Ocidente, contudo, ele é frequentemente chamado apenas de bin Laden, forma que costuma aparecer no início de frases ("Bin Laden foi..."), embora, no começo de uma frase, ibn fosse mais correto segundo o árabe ("Ibn Laden foi...").[5]
Bin Laden também era conhecido como Osama bin Muhammad bin Laden; xeique Osama bin Laden; xeique mujahid; o Príncipe; o Emir; Hajj; o Diretor; e Abu Abdallah.[2][9] Xeique (ou shaykh) e emir são títulos islâmicos atribuídos a líderes governamentais ou militares.[10][11] Um mujahid, cujo plural é mujahidin, é um participante da jihad — uma luta em nome do islã, pacífica ou violenta.[12] O Hajj é a peregrinação tradicional dos muçulmanos à cidade sagrada de Meca.[13] Abu Abdallah é uma kunya, nome parental baseado em um filho; Abu significa "pai de", e Abdallah é seu filho.[9]
Primeiros anos
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Osama bin Laden nasceu em 10 de março de 1957 na Arábia Saudita.[14][15] Os pesquisadores geralmente concordam que nasceu em Riade, como ele próprio afirmava, embora documentos do FBI e da Interpol tenham indicado Jidá no passado.[16][17] O pai de Osama, Muhammad, nasceu no atual Iêmen, e sua mãe, então chamada Alia Ghanem — mais tarde, Hamida al-Attas — nasceu na Síria.[18][16] Ela foi a décima esposa de Muhammad.[19] Osama foi o 17.º dos aproximadamente 52 filhos de Muhammad[18][20][21] e o único nascido do casamento de Muhammad com al-Attas.[16]
A família bin Laden teve origem com "xeique Mohammed bin Laden", muçulmano sunita do atual Iêmen que se mudou para a atual Arábia Saudita no início do século XX.[22] Entre as décadas de 1950 e 1970, a família tornou-se extremamente rica graças ao Saudi Binladin Group, empresa de construção pertencente ao pai de Osama. Entre seus clientes estava a família real saudita, a Casa de Saud.[23][16][22] A realeza acabou concedendo à empresa o direito exclusivo de construir edifícios religiosos na Arábia Saudita, e a companhia tornou-se a empreiteira oficial da família real. À medida que as duas famílias estreitavam seus laços, os filhos de Muhammad passaram a frequentar as mesmas escolas que os príncipes sauditas.[22]

Seis meses depois do nascimento de Osama, ele e seus pais mudaram-se para a região saudita do Hejaz, onde ficam as duas cidades mais sagradas do islã: Meca (a primeira) e Medina (a segunda). Ele viveu ali até a idade adulta.[16] Seus pais se divorciaram em 1960 e, no início da década de 1960, sua mãe casou-se com Mohammed al-Attas, funcionário do Saudi Binladin Group.[24] O casal teve quatro filhos, criados com Osama em uma nova casa.[16] Muhammad bin Ladin morreu em 1967.[25][26][b] Em dólares dos Estados Unidos, sem ajuste pela inflação, estimou-se em 2000 que Osama havia herdado do pai cerca de 300 milhões de dólares,[28] e, em 2001, a estimativa era de 50 a 60 milhões.[29] Atualmente, a família bin Laden ainda é proprietária do Saudi Binladin Group e mantém laços com a Casa de Saud.[23]
De 1968 a 1976, Osama frequentou a prestigiosa Al-Thager Model School, em Jidá,[16][30] e, em 1971, fez um curso de língua inglesa em Oxford, na Inglaterra.[31] No fim da década de 1970, começou a estudar economia e administração de empresas na King Abdulaziz University, em Jidá.[32][33] Uma fonte afirma que bin Laden abandonou a universidade no terceiro ano, sem obter um diploma.[34] Outras afirmam que ele se formou em engenharia civil, em 1979,[35] ou em administração pública, em 1981. Na universidade, seu principal interesse era o islã. Estudou o Alcorão e a jihad e realizou trabalho beneficente.[36][37]
Visões religiosas e políticas
[editar | editar código]Bin Laden foi criado no islã sunita[38] e seguia a escola Athari de teologia islâmica, que interpreta o Alcorão literalmente, e não figurativamente.[39] Por razões religiosas, opunha-se aos jogos de azar, à homossexualidade, aos entorpecentes, à masturbação, à música, ao sexo antes do casamento e à usura.[40][41][42]
Segundo relatos, era um leitor ávido e citava com frequência Bernard Montgomery e Charles de Gaulle.[43] Em certa ocasião, escreveu uma carta ao público norte-americano — divulgada postumamente — na qual o instava a trabalhar com o governo do então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para impedir o agravamento das mudanças climáticas e "salvar a humanidade" das emissões de gases de efeito estufa "que ameaçam seu destino".[44][45]
O mundo islâmico e os sistemas de governo
[editar | editar código]Fontes ocidentais consideram bin Laden um extremista islâmico.[c] A agência de inteligência alemã BfV escreve:[51]
"O extremismo islamista [acredita que] o islã não é apenas uma questão pessoal ou privada, mas que também deve reger a vida social e a ordem política, ou ao menos regular parte delas. Isso está em clara contradição com os princípios da soberania popular, da separação entre Estado e religião, da liberdade de expressão e da igualdade geral de direitos".

Essas ideias secularistas foram adotadas por grande parte do mundo islâmico ao longo do século XX. Assim, menos muçulmanos passaram a seguir rigorosamente regras sociais baseadas na moralidade islâmica, como as da xaria — a lei islâmica —, processo condenado pelo fundamentalismo islâmico. Os defensores de reformas políticas fundamentalistas islâmicas são islamistas.[52][53][54] Na universidade, bin Laden leu obras de vários islamistas, entre eles Abdullah Yusuf Azzam, então seu professor; Sayyid Qutb; e diversos líderes da Irmandade Muçulmana.[52]
Bin Laden foi criado no wahabismo, ramo do movimento salafista de fundamentalistas islâmicos sunitas.[55] Os salafistas seguem uma forma rigorosa da xaria, baseada em uma interpretação literal do Alcorão. O wahabismo era a forma dominante do islã na Arábia Saudita durante a vida adulta de bin Laden. Crenças wahabitas, incluindo a sacralização da violência contra não salafistas, foram ensinadas diretamente a bin Laden e a outros alunos nas escolas sauditas, aproximadamente entre as décadas de 1970 e 2010.[55][56][57]
Bin Laden promoveu o islamismo por meio de sua organização militante, a al-Qaeda, que cometeu numerosos ataques terroristas em todo o mundo. Seus ataques contra os Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 levaram a "ameaça do terrorismo islâmico militante [a ocupar] o centro" da política do Oriente Médio.[51][58][59] Enquanto bin Laden liderava a al-Qaeda, a organização ministrava aulas de ideologia que enumeravam quatro inimigos principais do islã: o islã xiita, os hereges do islã, os Estados Unidos e Israel.[60] Bin Laden acreditava que o mundo islâmico estava em crise por causa da influência desses inimigos e que somente a restauração completa da xaria nesse mundo poderia corrigi-la. Rejeitava outros tipos de governo como possíveis soluções para essa crise percebida, entre eles sistemas pan-arabistas, socialistas, comunistas e democráticos.[41][61]
Em certa ocasião, denunciou a democracia como uma "religião da ignorância" que viola o islã ao promulgar leis criadas por seres humanos, em vez das leis de Deus;[62] o jornalista Max Rodenbeck escreveu que bin Laden evitava as "justificativas teológicas da democracia, [que] se baseiam na noção de que a vontade do povo deve necessariamente refletir a vontade de um Deus onisciente". Bin Laden também comparou favoravelmente o sistema democrático espanhol a certas não democracias do mundo muçulmano, elogiando ambos por permitirem que os governantes fossem responsabilizados perante a lei.[62]
Ataques contra os Estados Unidos
[editar | editar código]Bin Laden só assumiu de forma inequívoca a responsabilidade pelos ataques de 11 de setembro em um vídeo de 2004, embora antes disso já tivesse sugerido suas motivações.[63] Suas opiniões sobre os Estados Unidos foram detalhadas em duas fatwas (decisões não vinculativas sobre questões da xaria) emitidas em 1996 e 1998, nas quais declarou guerra aos Estados Unidos;[64][65] em sua entrevista de 1998 ao jornalista norte-americano John Miller;[66] em um vídeo divulgado em dezembro de 2001;[63] em sua Carta ao povo americano, de 2002;[67] e em seu vídeo de 2004,[68] entre outras declarações.[63]
Bin Laden considerava o estacionamento por tempo indeterminado de tropas norte-americanas cristãs e judias na Arábia Saudita durante a Operation Southern Watch (1992–2003) uma provocação a todos os muçulmanos, pois interpretava que Maomé havia proibido a "presença permanente de infiéis na Arábia".[69][70][71] Sua fatwa de 1996 foi emitida principalmente por esse motivo.[64] Bin Laden também desejava reagir às políticas dos Estados Unidos para o Oriente Médio que haviam matado e oprimido muçulmanos na região,[72] especialmente mulheres e crianças;[73] condenava em particular o financiamento e armamento de Israel pelos Estados Unidos, país que historicamente matou e oprimiu muçulmanos na Palestina.[67][74][75] Acreditava que uma jihad violenta era necessária para reparar essas ações.[76] Em seu vídeo de 2001, declarou:[77][63]
"Tornou-se claro que o Ocidente em geral, e os Estados Unidos em particular, nutrem um ódio indizível pelo islã. [...] É o ódio dos cruzados. O terrorismo contra os Estados Unidos merece ser elogiado porque foi uma resposta à injustiça, destinada a obrigar os Estados Unidos a cessarem seu apoio a Israel, que mata nosso povo."
Ele acreditava que os Estados Unidos e o Reino Unido eram dirigidos por Israel para matar o maior número possível de muçulmanos. Alegava que Israel, depois de já ter invadido e ocupado vários países de maioria muçulmana, pretendia criar um "Grande Israel" mediante a anexação de todo o Oriente Médio e a subsequente escravização da população anexada.[78][79] Em sua carta de 2002, descreveu a criação do Estado de Israel, em 1948, como "um crime que deve ser apagado".[67][80]
Em sua fatwa de 1998, bin Laden afirmou que era dever de todo muçulmano "libertar" dois locais sagrados islâmicos "das garras [dos Estados Unidos e de Israel]": Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental, e a Masjid al-Haram, em Meca;[81][82] Jerusalém Ocidental é controlada por Israel desde 1948, enquanto Jerusalém Oriental foi controlada pela Jordânia de 1948 a 1967, quando teve início uma ocupação israelense ainda em curso da Cisjordânia, durante a Guerra dos Seis Dias.[83]
A fatwa também condenou as sanções internacionais contra o Iraque, das quais os Estados Unidos participaram.[65][84] Vigentes de 1990 a 2003, as sanções prejudicaram gravemente a economia iraquiana e criaram uma crise humanitária.[85][86] Bin Laden fazia referência frequente às mortes infantis resultantes,[70] que, até 1999, somavam pelo menos cerca de 227 mil.[85]
Em sua carta de 2002, bin Laden indicou várias motivações para os ataques de 11 de setembro, entre elas o apoio dos Estados Unidos: 1) a Israel, contra o Líbano durante a ocupação israelense do sul do Líbano (1982–2000) e contra os palestinos durante a Segunda Intifada (2000–2005); 2) à Rússia, contra militantes muçulmanos na Segunda Guerra na Chechênia (1999–2009); e 3) à opressão dos muçulmanos pela Índia na Caxemira. Também enumerou a antiga intervenção liderada pelos Estados Unidos contra militantes muçulmanos na Somália, a poluição causada pelos Estados Unidos e a recusa norte-americana em ratificar o Protocolo de Quioto, voltado à redução das emissões de gases de efeito estufa.[87][88][89][90] Além disso, conclamou os norte-americanos a converterem-se ao islã.[41]
Antes do 11 de Setembro, bin Laden acreditava que transmitir uma mensagem aos Estados Unidos por meio dos ataques da al-Qaeda poderia, em última análise, dissuadir as forças armadas norte-americanas de atacar muçulmanos no futuro.[73] Depois dos atentados, quando os Estados Unidos declararam a "Guerra ao Terror" global e começaram a caçar integrantes da al-Qaeda no Afeganistão e em outros países muçulmanos, bin Laden procurou atrair os militares norte-americanos para longas guerras de desgaste nesses lugares, reunindo grande número de jihadistas que jamais se renderiam. Previu que isso levaria ao colapso econômico dos Estados Unidos ao "sangrar a América até o ponto da falência". Em 2004, observou que fora essencialmente dessa forma que seus combatentes haviam ajudado a obrigar a União Soviética a retirar-se do Afeganistão ao fim da Guerra Soviético-Afegã (1979–1989).[91][92] De modo semelhante ao pretendido por bin Laden, a guerra dos Estados Unidos no Afeganistão durou vinte anos.[93]
Ataques contra civis no 11 de Setembro
[editar | editar código]Em sua fatwa de 1996, bin Laden declarou que sua guerra contra os Estados Unidos "não faria distinção entre [norte-americanos] vestidos com uniformes militares e civis; todos são alvos desta fatwa".[64] Em sua entrevista de 1998, afirmou:[66]
"A história norte-americana não distingue civis de militares, nem sequer mulheres e crianças. Foram eles que usaram [uma bomba nuclear] contra Nagasaki. Essas bombas conseguem distinguir crianças de militares? Os Estados Unidos não têm uma religião que os impeça de destruir todas as pessoas."

Bin Laden acreditava que todos os norte-americanos, inclusive os civis, eram responsáveis pelas ações dos Estados Unidos, por o país ser uma democracia[94] e porque os norte-americanos pagavam impostos que financiavam suas forças armadas.[73] Em contraste, certa vez afirmou que a democracia norte-americana era "a lei dos ricos e abastados".[95]
No 11 de Setembro, a al-Qaeda atacou o World Trade Center, um complexo empresarial em Nova Iorque, e o Pentágono, na Virgínia, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Posteriormente, bin Laden alegou que as mulheres e crianças mortas nos ataques não eram alvos pretendidos da al-Qaeda, afirmando que Maomé condenava a morte de mulheres e crianças; segundo ele, "os alvos principais eram o símbolo dos Estados Unidos: seu poder econômico e militar".[96][97] Em 2004, bin Laden disse ter sido inspirado a atacar as Torres Gêmeas do World Trade Center (1 e 2 WTC) como vingança pela destruição de torres em Beirute por tropas israelenses apoiadas pelos Estados Unidos durante o Cerco de Beirute, na Guerra do Líbano de 1982:[68][98]
"Deus sabe que [inicialmente] não nos ocorreu atacar as torres, mas, depois de [testemunhar] as torres destruídas no Líbano, ocorreu-me punir os injustos da mesma maneira: destruir torres nos Estados Unidos, para que provassem um pouco do que estamos provando e parassem de matar nossos filhos e nossas mulheres."[99]
Judaísmo
[editar | editar código]Bin Laden era profundamente antissemita.[78] Afirmava que a maioria dos acontecimentos negativos ocorridos no mundo era resultado direto das ações dos judeus[79] e que judeus e muçulmanos jamais poderiam conviver, pois a guerra entre eles era "inevitável".[78] Em sua carta de 2002, declarou que os judeus controlavam os meios de comunicação, a política e as instituições econômicas dos Estados Unidos.[41] Alegou ainda que os governos norte-americano e britânico também estavam sob seu controle e citou a Operação Raposa do Deserto — bombardeio do Iraque pelos dois países em 1998 — como prova disso.[78][79] Bin Laden descreveu certa vez os judeus dessa suposta conspiração como "mestres da usura [e] da traição, [que] não vos deixarão nada, nem neste mundo nem no próximo".[100] Em sua entrevista de 1998, declarou:[66]
"Assim, dizemos ao povo norte-americano [...] que, caso valorize a própria vida e a vida de seus filhos, deve encontrar um governo nacionalista que cuide de seus interesses, e não dos interesses dos judeus."
Mortes de civis muçulmanos
[editar | editar código]Al-tatarrus é uma doutrina islâmica segundo a qual, em certas circunstâncias, muçulmanos envolvidos em uma guerra cujas ações tenham provocado involuntariamente mortes de civis não agiram de maneira imoral. Em 2010, bin Laden escreveu uma carta criticando seguidores seus, como o aliado da al-Qaeda Tehrik-i-Taliban Pakistan, que haviam interpretado o al-tatarrus para justificar massacres rotineiros de civis muçulmanos, afastando muitos muçulmanos anteriormente favoráveis ao jihadismo islâmico. Em seguida, elaborou um código de conduta que restringia as atividades militares de seus aliados para evitar mortes de civis e instruiu seus seguidores em todo o mundo a concentrarem-se em persuadir partidos políticos islâmicos hesitantes a aderir ao jihadismo islâmico, em vez de combatê-los. Instou seus aliados no Iêmen a negociar o fim do conflito com outros muçulmanos, ou ao menos demonstrar intenções pacíficas aos muçulmanos iemenitas, e seus aliados do grupo somali al-Shabaab — afiliado à al-Qaeda depois de 2012[101] — a promover o desenvolvimento econômico e a reduzir a pobreza extrema da Somália, causada pelos conflitos permanentes no país.[102]
Carreira militante e política, 1979–2001
[editar | editar código]Guerra Soviético-Afegã
[editar | editar código]Em 1979, o Afeganistão, país de maioria muçulmana, foi ocupado pela União Soviética, de população predominantemente não muçulmana;[103][104] como socialistas, os soviéticos apoiavam a República Democrática do Afeganistão, governo nacional socialista instalado por um golpe militar em 1978 e combatido por muitos muçulmanos afegãos.[105] Depois de deixar a universidade, bin Laden foi ao Paquistão com Abdullah Yusuf Azzam para ajudar os mujahideen afegãos a resistir aos soviéticos.[106] Bin Laden recordaria mais tarde: "Fiquei indignado com a injustiça cometida contra o povo do Afeganistão".[107] É provável que tenha se mudado para lá com o conhecimento e o apoio do governo saudita, que se opunha à ocupação soviética.[24]

Em 1984, bin Laden e Azzam fundaram o Maktab al-Khidamat (MaK), que recrutava combatentes de todo o mundo árabe para os mujahideen afegãos e lhes fornecia armas e dinheiro, inclusive pagando passagens aéreas e outros meios de transporte até o país. Bin Laden financiou o MaK com a herança da fortuna de sua família.[108][109] Durante a guerra, também ajudou a construir complexos de cavernas nas montanhas afegãs para serem usados como fortificações pelos mujahideen.[110][111] Transportou para o Afeganistão máquinas de construção utilizadas pelo Saudi Binladin Group.[106] Além disso, estabeleceu campos de militantes na província paquistanesa de Khyber Pakhtunkhwa.[112]
De 1979 a 1992, os Estados Unidos — por meio do programa Operação Ciclone da CIA —, a Arábia Saudita e a China forneceram entre 6 e 12 bilhões de dólares em ajuda financeira e armamentos a dezenas de milhares de combatentes mujahideen afegãos por intermédio do Inter-Services Intelligence (ISI) paquistanês.[113] Embora os Estados Unidos fornecessem dinheiro e armas, o treinamento dos combatentes era realizado integralmente pelo ISI e pelas Forças Armadas do Paquistão.[114]

Ao contrário do que se acredita popularmente, os Estados Unidos não treinaram nem financiaram diretamente os combatentes de bin Laden;[115] segundo Mohammad Yousaf, então chefe das operações do ISI no Afeganistão, o Paquistão mantinha uma política rígida para impedir qualquer financiamento, armamento ou treinamento norte-americano dos mujahideen.[116] O próprio bin Laden, contudo, foi treinado por Ali Mohamed, integrante das Forças Especiais dos Estados Unidos e agente duplo.[117]
Nesse período, bin Laden conheceu Hamid Gul, general paquistanês e chefe do ISI.[114] Segundo alguns oficiais da CIA, a partir do início de 1980 bin Laden também atuou como elemento de ligação entre a General Intelligence Presidency (GIP) saudita e senhores da guerra mujahideen afegãos. O jornalista Steve Coll afirma que, embora bin Laden provavelmente não fosse um agente assalariado da GIP, "parece claro [que ambos] mantinham uma relação substancial".[118]
Entre 1986 e 1987, bin Laden estabeleceu uma base no leste do Afeganistão para várias dezenas de seus próprios soldados. Ali, comandou-os contra os soviéticos na Batalha de Jaji, em 1987, da qual saíram vitoriosos.[112] Apesar da pouca importância da batalha para o esforço de guerra dos mujahideen, ela foi exaltada pela imprensa árabe.[109] Foi aproximadamente nessa época que bin Laden passou a ser idolatrado por muitos árabes.[119]
Retirada soviética e fundação da al-Qaeda
[editar | editar código]Bin Laden rompeu com o MaK até 1988.[120][121] Isso ocorreu em grande parte porque desejava que os combatentes árabes dos mujahideen afegãos formassem uma força militar independente dos demais grupos, enquanto Azzam queria integrá-los.[121]

Os soviéticos começaram a retirar-se do Afeganistão em maio de 1988,[122] e a al-Qaeda foi formada em algum momento daquele ano.[123] Ela pode ter sido fundada em uma reunião de 11 de agosto entre bin Laden, Azzam e dirigentes do grupo terrorista Jihad Islâmica Egípcia (JIE), na qual se sabe que as partes concordaram em combinar o dinheiro de bin Laden com a experiência da JIE para levar a causa jihadista para fora do Afeganistão depois do fim da retirada.[124][125][126] Em 20 de agosto, foram registradas notas de uma reunião com a participação de bin Laden que mencionavam "uma facção islâmica organizada, [cujo] objetivo é elevar a palavra de Deus e tornar vitoriosa sua religião".[127] Para manter sua existência em segredo, a al-Qaeda não declarou seu nome nos primeiros comunicados públicos.[128]
Outro ponto de divergência entre bin Laden e Azzam era o uso da força militar do MaK depois da retirada. Ambos desejavam utilizar a força construída pelo MaK para defender muçulmanos oprimidos em qualquer parte do mundo. Bin Laden então exortou publicamente os soldados a travar a jihad por meio do terrorismo; Azzam emitiu uma fatwa condenando essa abordagem e declarou que a lei islâmica condena a morte de mulheres e crianças.[129]
Os soviéticos concluíram a retirada em fevereiro de 1989.[130] O governo da República Democrática, agora sem a proteção militar soviética, travou uma guerra de 1988 a 1992 contra a resistência contínua dos mujahideen.[131] Simultaneamente, vários grupos mujahideen contrários à República combatiam entre si, o que irritava bin Laden;[119] na nova guerra, ele continuou trabalhando com a GIP e o ISI, que seguiram armando esses e outros grupos mujahideen afegãos.[131][132] Em março de 1989, bin Laden comandou oitocentos combatentes árabes estrangeiros contra a República durante a Batalha de Jalalabad. Enviou seus homens para imobilizar o 7.º Regimento Sarandoy da República, mas isso causou enormes baixas do seu lado, que perdeu a batalha.[132]
Suposto envolvimento no massacre de Gilgit de 1988
[editar | editar código]Em maio de 1988, grande número de civis xiitas de Gilgit, no Paquistão, e das áreas circundantes foi massacrado e estuprado por militantes sunitas.[133][134] O episódio ocorreu depois de uma disputa local entre civis sunitas e xiitas sobre as comemorações, por estes últimos, do feriado islâmico Eid al-Fitr, que marca o fim do mês sagrado do Ramadã. Os militantes, que ainda observavam o jejum do Ramadã, haviam atacado os xiitas, que já comemoravam; estes alegavam ter avistado pela primeira vez a lua crescente, que inicia o Eid al-Fitr, e os sunitas não acreditaram neles.[135][136] Um contingente de militantes sunitas e integrantes armados de tribos de várias outras regiões do Paquistão dirigiu-se então a Gilgit, supostamente enviado pelo governo paquistanês para "dar [aos xiitas] uma lição".[135] O oficial da inteligência indiana B. Raman alegou, em 2003, que bin Laden havia liderado uma das tribos durante a marcha.[137][138][139]
Retorno à Arábia Saudita
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Ao retornar à Arábia Saudita depois da retirada soviética, bin Laden foi amplamente celebrado pelos sauditas como herói da jihad, pois muitos consideravam sua força mujahideen responsável pela derrota da superpotência soviética.[130][140] Em seguida, trabalhou para o Saudi Binladin Group, mesmo depois de começar a participar de movimentos de oposição sauditas contra a Casa de Saud.[130]
Em novembro de 1989, Abdullah Yusuf Azzam foi assassinado em um atentado com minas terrestres no Paquistão; não se sabe se bin Laden participou do crime. Com isso, assumiu o controle total do MaK, que incorporou à al-Qaeda.[141] A partir de então, foi radicalizado ainda mais pelo dirigente da JIE Ayman al-Zawahiri.[142] Em 1990, bin Laden financiou uma tentativa de golpe de Estado liderada pelo general comunista extremista Shahnawaz Tanai para derrubar a República, mas ela fracassou.[143] Em 1991, com a dissolução da União Soviética, o país encerrou o apoio restante à República.[131]
Bin Laden envolveu-se na política de países além da Arábia Saudita e do Afeganistão. Fez lobby junto ao Parlamento do Paquistão para que aprovasse uma moção de desconfiança contra a primeira-ministra Benazir Bhutto, mas a iniciativa fracassou.[144] Também ofereceu à Casa de Saud o envio da al-Qaeda para derrubar o governo do Partido Socialista Iemenita (PSI), alinhado à União Soviética, no Iêmen do Sul, mas a proposta foi rejeitada pelo príncipe Turki Al-Faisal. Bin Laden então organizou assassinatos de dirigentes do PSI numa tentativa de prejudicar o processo de unificação do Iêmen do Norte e do Iêmen do Sul; foi obrigado a interrompê-los pelo príncipe Nayef bin Abdulaziz, ministro do Interior saudita, depois que o presidente norte-iemenita Ali Abdullah Saleh, um dos dirigentes do processo de unificação, queixou-se ao rei saudita Fahd. A unificação ocorreu em 1990 e formou a atual República do Iêmen, inicialmente liderada por Saleh.[145][146]
Guerra do Golfo
[editar | editar código]A invasão iraquiana do Kuwait em 1990, sob o presidente iraquiano Saddam Hussein, deu início à Guerra do Golfo (1990–1991). Pouco depois, forças iraquianas foram posicionadas na fronteira entre a Arábia Saudita e o Iraque. A Casa de Saud passou a temer que seu controle sobre a Arábia Saudita fosse instável, pois Saddam apoiava publicamente o pan-arabismo; a família real receava que ele pretendesse incentivar a dissidência interna contra ela.[147] Fahd aceitou a oferta de assistência militar do governo norte-americano; uma semana depois, bin Laden reuniu-se com Fahd e com o ministro da Defesa saudita, Sultan bin Abdulaziz, e disse-lhes que não deveriam depender da ajuda de não muçulmanos. Bin Laden ofereceu-se para ajudar a defender a Arábia Saudita com uma força própria de mujahideen.[147][148] A oferta foi recusada, e os sauditas acabaram aceitando quinhentos mil soldados norte-americanos em seu território.[149][148]

Bin Laden denunciou publicamente a decisão[150] e tentou convencer os ulama sauditas a emitir uma fatwa que a condenasse, mas os clérigos superiores recusaram por medo da repressão governamental.[151] Suas críticas contínuas à família real levaram-na a colocá-lo em prisão domiciliar, situação em que permaneceu até ser exilado do país em 1991.[152] Depois da guerra, a família real permitiu a presença contínua de tropas norte-americanas no país, durante a Operação Southern Watch, para controlar o espaço aéreo iraquiano.[74][153][154]
Mudança para o Sudão
[editar | editar código]Depois de sua expulsão, bin Laden e seus seguidores mudaram-se primeiro para o Afeganistão e, posteriormente, para o Sudão, em um acordo intermediado por Ali Mohamed.[130][155][156] Bin Laden estabeleceu uma nova base de operações dos mujahideen em Cartum. Comprou uma casa na rua Al-Mashtal, no próspero bairro de Al-Riyad, e um refúgio em Soba, às margens do Nilo Azul.[157][158] Escolheu pessoalmente os guarda-costas de sua equipe de segurança, que portavam Strela-2, AK-47, metralhadoras PK, granadas propelidas por foguete (RPG) e mísseis Stinger.[159] Investiu pesadamente em vários negócios, sobretudo de infraestrutura e agricultura.[160] Al-Zawahiri seguiu bin Laden até o Sudão, onde a JIE e a al-Qaeda colaboraram.[161]
Bin Laden era popular entre os habitantes locais, que o consideravam generoso com os pobres. Construiu estradas no país utilizando o trabalho de antigos integrantes dos mujahideen afegãos, que empregaram os mesmos tratores de esteira usados por ele no Afeganistão para abrir caminhos nas montanhas.[162][163] Continuou criticando o rei Fahd e, em 1994, o monarca retirou-lhe a cidadania saudita. A família de bin Laden rompeu relações com ele,[164] e Fahd convenceu-a a suspender sua mesada anual de sete milhões de dólares.[165][166][167]

Na década de 1990, a al-Qaeda prestou ajuda financeira e, por vezes, militar a jihadistas na Argélia, no Egito e no Afeganistão. Em 1992 ou 1993, bin Laden enviou à Argélia um emissário, Qari el-Said, com quarenta mil dólares para auxiliar os islamistas locais e instá-los a declarar guerra ao governo argelino, em vez de negociar com ele. O conselho foi seguido. A Guerra Civil Argelina (1992–2002) resultante matou entre 44 mil[168] e duzentas mil pessoas e terminou com a rendição dos islamistas ao governo.[169]
No início de 1992, quando a República Democrática do Afeganistão entrava em colapso ao fim da guerra civil de 1989–1992, dirigentes de grupos mujahideen de todo o país planejaram negociações para criar um novo governo que dividisse o poder entre eles. Em março ou abril, bin Laden tentou convencer Gulbuddin Hekmatyar, dirigente do Hezb-e Islami Gulbuddin, a participar das negociações, em vez de tentar conquistar Cabul com seu próprio grupo para estabelecer um governo próprio. Hekmatyar tentou sem êxito esta última opção, enquanto um novo governo de coalizão, o Estado Islâmico do Afeganistão, foi fundado. Isso levou a outra guerra civil afegã (1992–1996), desta vez entre o Hezb-e Islami Gulbuddin, a coalizão, a al-Qaeda e outros grupos.[170][131]
Primeiros ataques da al-Qaeda contra os Estados Unidos
[editar | editar código]Em novembro de 1990, o FBI invadiu a residência de El Sayyid Nosair, associado de Ali Mohamed, em Nova Jérsia. Os agentes encontraram numerosas provas de planos terroristas, entre elas projetos para explodir arranha-céus em Nova Iorque. Essa foi a primeira descoberta de planos terroristas da al-Qaeda fora de países muçulmanos.[171] Seus primeiros atentados terroristas bem-sucedidos ocorreram em 29 de dezembro de 1992. Bombas foram detonadas no Hotel Mövenpick e no Gold Mohur Hotel, em Áden, no Iêmen, matando dois civis no Gold Mohur. Soldados norte-americanos haviam se hospedado nos hotéis enquanto seguiam para a Somália, onde participariam da Operação Restore Hope.[130][172]
No início da década de 1990, Khalid Sheikh Mohammed tornou-se um dos principais lugares-tenentes de bin Laden e elaborou um plano, de codinome "Bojinka", para uma série de atentados terroristas da al-Qaeda contra aviões comerciais. No Plano Bojinka, a al-Qaeda e outro grupo, o Jemaah Islamiyah, planejavam destruir simultaneamente com bombas, sobre o oceano Pacífico, onze aviões que partiriam do Sudeste Asiático com destino aos Estados Unidos. O papa João Paulo II também seria assassinado.[173][174][175]
Em 1993, o sobrinho de Mohammed, Ramzi Yousef, e um grupo de integrantes da al-Qaeda bombardearam a parte subterrânea do World Trade Center, em Nova Iorque, matando seis pessoas e ferindo mais de mil.[173][176]
Em 1994, Yousef ensaiou os atentados do Plano Bojinka ao detonar uma bomba em um teatro de Manila e outra a bordo do voo 434 da Philippine Airlines, que matou um passageiro.[177] Em 1995, semanas antes da data planejada para o ataque, o plano foi frustrado quando o apartamento de Yousef em Manila pegou fogo; ao investigar o incêndio, a polícia encontrou provas que o incriminavam.[177][178] Ele foi condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos,[178] enquanto Mohammed prosseguiu com seu plano de sequestrar aviões comerciais.[173]
"Terroristas planejavam explodir onze jatos de grande porte norte-americanos"[178]
"Especialistas em inteligência filipinos e ocidentais disseram em entrevistas que a investigação do Plano Bojinka [recém-revelado] também forneceu provas perturbadoras da existência de uma rede mundial de terroristas que receberam treinamento com armas e intensa doutrinação religiosa durante [sua guerra contra] a União Soviética no Afeganistão."
Guerra da Bósnia
[editar | editar código]A Guerra da Bósnia (1992–1995) foi um conflito étnico na República da Bósnia e Herzegovina. Os bosníacos, muitos dos quais muçulmanos, combateram as forças sérvio-bósnias e croata-bósnias de dois Estados separatistas não reconhecidos dentro das fronteiras da República — respectivamente, a República Srpska e a República Croata da Herzeg-Bósnia. Em 1992, os exércitos dos dois Estados, o Exército da República Sérvia e o Conselho de Defesa Croata, iniciaram operações de limpeza étnica contra os bosníacos. Em resposta, militantes muçulmanos bósnios aliaram-se à República em uma jihad contra sérvios e croatas, e muçulmanos estrangeiros dos "mujahideen bósnios" juntaram-se a eles.[179][180][181] Os mujahideen teriam participado de crimes de guerra, entre eles o assassinato e a tortura de civis sérvios e croatas e seu uso como escudos humanos.[182][183][184] Em 1995, a Guerra da Bósnia terminou com a dissolução da República e a formação do país denominado simplesmente Bósnia e Herzegovina.[180]
As provas indicam que bin Laden ajudou os mujahideen bósnios. Em 2002, autoridades de Saraievo, na Bósnia, invadiram os escritórios de uma agência de ajuda humanitária saudita que auxiliara muçulmanos bósnios na guerra, a Saudi High Commission for Relief of Bosnia and Herzegovina. Encontraram materiais com informações sobre vários financiadores sauditas dos mujahideen, entre eles bin Laden.[185][186] Outro objeto encontrado foi o documento "Cadeia Dourada", que alegadamente enumera os próprios financiadores de bin Laden.[185][186] Os pormenores sobre a lista, inclusive suas entradas e a data em que foi escrita, são especulativos, pois ela jamais foi divulgada ao público; contudo, em 2003, o Wall Street Journal informou que nela constavam alguns irmãos de bin Laden, a família bancária Alrajhi e os banqueiros bilionários Khalid bin Mahfouz e Saleh Kamel.[186]
Depois da Guerra da Bósnia, muitos integrantes dos mujahideen formaram grupos terroristas islâmicos, que ficaram sob a proteção de outros militantes muçulmanos que haviam servido à República. Esses terroristas também mantinham vínculos com bin Laden, alguns ainda existentes em outubro de 2001.[179][180][181]
Ameaça de expulsão do Sudão
[editar | editar código]Em 1995, a JIE, em colaboração com o serviço de inteligência sudanês e o grupo egípcio al-Gama'a al-Islamiyya, tentou assassinar o presidente egípcio Hosni Mubarak. A tentativa fracassou e, em seguida, o Sudão sofreu pressão internacional para expulsar a JIE e a al-Qaeda.[161] O Departamento de Estado dos Estados Unidos acusou o Sudão de ser um patrocinador do terrorismo internacional e bin Laden de operar campos de treinamento terrorista no país. Segundo autoridades sudanesas, porém, essa posição tornou-se obsoleta quando o dirigente político islamista Hassan al-Turabi perdeu influência no Sudão. O país desejava dialogar com os Estados Unidos, mas autoridades norte-americanas recusaram-se a reunir-se com seus representantes mesmo depois da expulsão de bin Laden. Somente em 2000 o Departamento de Estado autorizou funcionários da inteligência norte-americana a visitar o país.[187][188]
No fim de 1995, os Estados Unidos souberam que o Sudão discutia a possível expulsão de bin Laden. O embaixador norte-americano no Sudão, Timothy Carney, incentivou o país a levá-la adiante, embora o governo sudanês tivesse dificuldade para decidir para onde bin Laden seria expulso; os sauditas não o queriam, e nenhum país havia apresentado uma acusação formal contra ele. O funcionário saudita Fatih Erwa alegou posteriormente que o Sudão oferecera entregar bin Laden aos Estados Unidos; o Relatório da Comissão do 11 de Setembro (2004), do governo norte-americano, concluiu que não havia "provas credíveis" disso.[189]
Unidade de Investigação sobre Bin Laden
[editar | editar código]Em janeiro de 1996, a CIA criou uma nova unidade de seu Centro de Contraterrorismo (CTC), denominada Unidade de Investigação sobre Bin Laden e conhecida pelo codinome "Alec Station", para acompanhar e realizar operações contra as atividades de bin Laden. A unidade era dirigida pelo veterano do CTC Michael Scheuer.[190] A inteligência norte-americana monitorava bin Laden no Sudão com agentes que passavam diariamente pelo local para fotografar as atividades em seu complexo, além de utilizar uma casa segura da inteligência e inteligência de sinais para vigiá-lo e registrar seus movimentos.[191]
Retorno ao Afeganistão
[editar | editar código]O Sudão expulsou bin Laden em 1996, permitindo que viajasse de avião para Jalalabad, no Afeganistão, em um voo fretado, em 18 de maio.[192][193] A Talibã, que venceu a guerra de 1992–1996 e fundou o Emirado Islâmico do Afeganistão no fim de 1996, permitiu que a al-Qaeda operasse no país. Até a dissolução do Emirado, em 2001, bin Laden trabalhou estreitamente com o líder supremo do Afeganistão, mulá Omar.[131][192][193] Bin Laden ajudou a consolidar sua aliança com a Talibã ao enviar várias centenas de combatentes para auxiliar o grupo a matar de cinco mil a seis mil hazaras na cidade de Mazar-i-Sharif.[194] Em meados de 1997, a Aliança do Norte, que combatia a Talibã na Guerra Civil Afegã de 1996–2001, estava em posição de tomar Jalalabad, levando bin Laden a abandonar sua residência em Najim Jihad, nas proximidades da cidade, e mudar-se para o sul, para Tarnak Farms.[195]

A expulsão do Sudão enfraqueceu significativamente a al-Qaeda,[196] pois bin Laden deixou milhões de dólares no país.[197] Algumas fontes da inteligência africana argumentaram que ele ficou sem outra maneira de obter poder político além de se tornar radical em tempo integral e que a maioria dos trezentos árabes afegãos que se mudaram com ele tornou-se posteriormente terrorista.[187] A al-Qaeda arrecadou dinheiro tanto de doadores com os quais bin Laden se relacionara durante a Guerra Soviético-Afegã quanto do ISI, para estabelecer campos de treinamento de militantes jihadistas no Afeganistão.[198] Bin Laden também assumiu, na prática, o controle da Ariana Afghan Airlines, que transportava militantes islâmicos, armas, dinheiro e ópio pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Paquistão, além de fornecer documentos de identidade falsos aos integrantes da al-Qaeda.[199] O traficante de armas russo Viktor Bout ajudou a administrar a companhia aérea, realizar a manutenção dos aviões e carregar as mercadorias.[200]

Alguns pesquisadores, assim como a Polícia Federal Suíça,[201] alegam que bin Laden financiou o Massacre de Luxor, no qual 62 civis foram mortos em 17 de novembro de 1997 no Templo Mortuário de Hatexepsute, no Egito.[202][203][204]
Em março de 1998, a Líbia emitiu o primeiro mandado de prisão oficial da Interpol contra bin Laden. Ele e outras três pessoas foram acusados de matar, em 1994, na Líbia, Silvan Becker, especialista em contraterrorismo do BfV, e sua esposa, Vera.[205][206] Bin Laden ainda era procurado pela Líbia quando morreu.[207][208]
Também em 1998, a al-Qaeda declarou uma aliança formal com a JIE,[161] e al-Zawahiri tornou-se vice de bin Laden.[209] Em junho de 2001, as duas organizações se fundiram.[161]
Início da guerra da al-Qaeda contra os Estados Unidos
[editar | editar código]Em agosto de 1996, bin Laden emitiu uma fatwa que declarava guerra aos Estados Unidos em resposta à presença de tropas norte-americanas na Arábia Saudita, país que, segundo ele, "havia sido transformado em uma colônia norte-americana" durante a "tentativa dos Estados Unidos de dominar a região".[154][210] Em fevereiro de 1998, emitiu outra fatwa, conclamando os muçulmanos a atacar os Estados Unidos e seus aliados.[84] No anúncio da fatwa, acompanhado por jornalistas, bin Laden afirmou que os norte-americanos eram "alvos muito fáceis" e que "vereis os resultados disso dentro de pouquíssimo tempo".[211]
Em novembro de 1996, o presidente norte-americano Bill Clinton viajou às Filipinas para as reuniões anuais da APEC. Bin Laden organizou um plano para assassinar Clinton, explodindo a comitiva presidencial enquanto ela percorria Manila. Antes da partida da comitiva, contudo, agentes da inteligência norte-americana interceptaram uma mensagem sobre o plano entre integrantes da al-Qaeda e alertaram o Serviço Secreto dos Estados Unidos. Clinton não foi ferido, e a bomba foi encontrada sob uma ponte.[212]

Em junho de 1998, bin Laden foi indiciado por um grande júri nos Estados Unidos sob acusação de conspiração para atacar instalações de defesa norte-americanas; os promotores também o acusaram de chefiar a al-Qaeda e de ser um dos principais financiadores de combatentes islâmicos em todo o mundo.[213]
Em 7 de agosto de 1998, centenas de pessoas foram mortas por explosões simultâneas de carros-bomba nas embaixadas dos Estados Unidos em Dar es Salaam, na Tanzânia, e Nairóbi, no Quênia.[214] Os atentados chamaram pela primeira vez a atenção do público norte-americano para bin Laden e al-Zawahiri. A al-Qaeda posteriormente reivindicou a autoria dos ataques.[214] Capturar bin Laden tornou-se um objetivo importante do governo dos Estados Unidos.[215] Antes do 11 de Setembro, a iniciativa teve recepção divergente entre funcionários dos serviços de inteligência norte-americanos e britânicos.[216][217][218]
... "muitos afirmam que [bin Laden] não é tão poderoso quanto alegam os norte-americanos. 'Simplesmente não creio que um homem em uma caverna no Afeganistão consiga enviar mensagens por um telefone via satélite ordenando destruição em massa em qualquer parte do mundo', declarou um especialista em segurança sediado em Londres. 'A vida real não é como os filmes de James Bond. Simplesmente não é tão fácil manter o mundo sob ameaça.'"
Depois do 11 de Setembro, revelou-se que Clinton havia autorizado a Divisão de Atividades Especiais da CIA a prender bin Laden e levá-lo aos Estados Unidos para ser julgado pelos atentados; caso fosse considerado impossível capturá-lo vivo, poderia ser utilizada força letal.[220] Clinton ordenou a Operação Infinite Reach, uma série de ataques com mísseis de cruzeiro contra campos de treinamento da al-Qaeda em Khost, no Afeganistão, e Cartum, em 20 de agosto de 1998.[214] Os ataques não atingiram bin Laden, que havia deixado o local poucas horas antes.[221]
Em novembro de 1998, bin Laden foi indiciado por um grande júri federal dos Estados Unidos no Tribunal Distrital do Distrito Sul de Nova Iorque, sob acusações relacionadas aos atentados contra as embaixadas. As provas contra ele incluíam depoimentos judiciais de antigos integrantes da al-Qaeda e registros de um telefone via satélite comprado para bin Laden nos Estados Unidos pelo agente da al-Qaeda Ziyad Khaleel.[222][223][224] A Talibã respondeu aos indiciamentos dizendo que não extraditaria bin Laden para os Estados Unidos, pois o tribunal não apresentara provas suficientes e tribunais não muçulmanos não teriam competência para julgar muçulmanos.[225]
Em dezembro de 1998, a CIA informou a Clinton que a al-Qaeda preparava atentados a serem realizados nos Estados Unidos e que os preparativos incluíam o treinamento de pessoal para sequestrar aeronaves.[226] Em junho de 1999, o FBI incluiu bin Laden em sua lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados.[227] Na tentativa de obrigar a Talibã a extraditá-lo, Clinton procurou convencer as Nações Unidas (ONU) a impor sanções ao Afeganistão.[228] Teve êxito parcial: em outubro de 1999, a ONU classificou a al-Qaeda como organização terrorista, obrigando oficialmente os países a congelar os ativos e impor proibições de viagem a integrantes da al-Qaeda e seus associados. Mesmo assim, a Talibã continuou sem extraditá-lo.[229][230]
No fim de 1999, a CIA e a inteligência militar paquistanesa prepararam uma equipe de aproximadamente sessenta comandos paquistaneses para infiltrar-se no Afeganistão e capturar ou matar bin Laden, mas o plano foi cancelado após o golpe de Estado paquistanês de outubro.[221] Em 2000, agentes estrangeiros que trabalhavam para a CIA dispararam uma RPG contra uma comitiva de veículos na qual bin Laden atravessava as montanhas afegãs. O projétil atingiu um veículo, mas não aquele em que ele se encontrava.[220]
Insurgência no Iêmen
[editar | editar código]Depois da unificação do Iêmen, em 1990, Ali Abdullah Saleh permaneceu como presidente até 2012. Ao desenvolver o novo país na década de 1990, enfrentou a oposição de sunitas e outros grupos que consideravam que ele transformava excessivamente a sociedade iemenita em busca da unidade cultural entre norte e sul. Permaneceu no poder durante décadas ao reprimir violentamente a oposição.[231] Em 1998, um ramo da al-Qaeda denominado "al-Qaeda no Iêmen" (AQY) iniciou uma insurgência contra o governo iemenita na tentativa de controlar a região.[232][233] A insurgência continua até hoje,[233] embora a AQY esteja atualmente subordinada à Al-Qaeda na Península Arábica.[209][234]
Planos de atentados do milênio e ataque ao USS Cole
[editar | editar código]Em 1999, a al-Qaeda planejou atentados terroristas em vários países para o período próximo ao Ano-Novo de 2000, data popularmente considerada o início do novo milênio.[235][236][237] Todos os planos, exceto um, fracassaram:
- Quatro ataques na Jordânia foram planejados por uma célula terrorista estabelecida pela al-Qaeda em Amã.[d] Os planos foram frustrados em 30 de novembro, quando a inteligência jordaniana interceptou uma ligação de um lugar-tenente de bin Laden, localizado no Paquistão, para um integrante da célula em Amã.[235][236]
- Nos Estados Unidos, a al-Qaeda planejou bombardear o Aeroporto Internacional de Los Angeles. Para isso, estabeleceu uma célula no Canadá; o integrante Ahmed Ressam planejava atravessar a fronteira da Colúmbia Britânica rumo ao estado de Washington e depois seguir para Los Angeles. Entretanto, em 14 de dezembro, as autoridades o detiveram na fronteira com materiais para a fabricação de bombas em seu automóvel.[235][236]
- O voo 814 da Indian Airlines, que partiu de Catmandu para Deli em 24 de dezembro, foi sequestrado. Os autores, integrantes do grupo ligado à al-Qaeda Harkat-ul-Mujahideen, fizeram escalas primeiro na Índia, no Paquistão e nos Emirados Árabes Unidos e depois permaneceram no avião em solo em Catmandu. Mantiveram os passageiros a bordo como reféns, matando um deles, e exigiram que a Índia libertasse três militantes muçulmanos da prisão. No dia 31, a Índia levou os sequestradores e os prisioneiros até a Talibã, na fronteira entre a Índia e o Paquistão.[237][238]
- A al-Qaeda tentou bombardear o USS The Sullivans, navio da Marinha dos Estados Unidos atracado em Áden, no Iêmen, em 3 de janeiro de 2000. Os autores pretendiam conduzir até o navio uma embarcação carregada de explosivos e detoná-los, mas acrescentaram explosivos demais, e a embarcação afundou antes de alcançá-lo. Os terroristas recuperaram o barco e os explosivos para utilizá-los posteriormente em uma tentativa semelhante.[239]

O barco e os explosivos foram reutilizados em Áden em 12 de outubro de 2000, quando a al-Qaeda matou dezessete marinheiros norte-americanos ao bombardear outro navio atracado, o USS Cole (DDG-67).[240]
Guerra do Kosovo
[editar | editar código]A Guerra do Kosovo (1998–1999) começou em razão da possível separação da região do Kosovo — onde viviam muitos albaneses étnicos — da República da Sérvia e da República Federal da Iugoslávia (posteriormente denominada Sérvia e Montenegro).[241][242] Em 1998, o chefe do Serviço de Inteligência do Estado da Albânia, Fatos Klosi, declarou que bin Laden havia fundado no país, em 1994, uma rede terrorista disfarçada de organização humanitária e que ela participava naquele momento da Guerra do Kosovo. Claude Kader, um de seus integrantes, posteriormente confirmou a existência da rede ao depor em julgamento.[243] Ela havia sido organizada por alguns dirigentes islâmicos da Europa Ocidental aliados a bin Laden e al-Zawahiri.[244][245] Até 1998, quatro integrantes da JIE foram presos na Albânia e extraditados para o Egito.[246]
Em 2002, o então ex-presidente sérvio e iugoslavo Slobodan Milošević alegou, durante seu julgamento no tribunal das Nações Unidas para a ex-Iugoslávia, ter recebido um relatório do FBI segundo o qual a al-Qaeda havia ajudado o Exército de Libertação do Kosovo (ELK), grupo paramilitar albanês étnico que lutou pela independência kosovar durante a Guerra do Kosovo e matou civis. Milošević alegou que bin Laden utilizara a Albânia como base para a violência nos Bálcãs e que, quando ele governava a Iugoslávia (1997–2000), seu governo informou ao diplomata norte-americano Richard Holbrooke]] que o ELK era auxiliado pela al-Qaeda, mas os Estados Unidos continuaram colaborando com o grupo. Assim, os Estados Unidos podem ter trabalhado conscientemente com bin Laden, apesar de persegui-lo depois dos atentados contra as embaixadas, e ajudado a criar a crise humanitária que, segundo o próprio país, tornou necessário o bombardeio da Iugoslávia pela OTAN, em 1999.[247][248][249][250]
Ataques de 11 de setembro de 2001
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Em 11 de setembro de 2001, dezenove integrantes da al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais que haviam partido da Costa Leste dos Estados Unidos, com o objetivo de lançá-los contra vários monumentos nacionais. O voo 11 da American Airlines e o voo 175 da United Airlines, ambos partindo de Boston com destino a Los Angeles, foram lançados, respectivamente, contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, o 1 e o 2 World Trade Center (WTC). O voo 77 da American Airlines, que partira de Dulles, na Virgínia, para Los Angeles, foi lançado contra o Pentágono. O voo 93 da United Airlines, que partira de Newark, em Nova Jérsia, para São Francisco, não alcançou o destino pretendido pelos sequestradores em Washington, D.C., pois caiu em um campo na Pensilvânia depois que os demais passageiros tentaram retomar a cabine de comando. As Torres Gêmeas acabaram desabando e destruíram o World Trade Center. Todos os sequestradores e pelo menos 2 977 vítimas morreram diretamente nos quatro sequestros.[251][252] Estima-se que 25 mil pessoas tenham ficado feridas.[253]
Consequências
[editar | editar código]O local onde ficava o World Trade Center destruído recebeu o apelido de "Marco Zero".[254] Numerosas pessoas que estiveram no local durante ou depois dos atentados desenvolveram posteriormente problemas de saúde resultantes da exposição por inalação, causada pela poeira do desabamento.[255] Até 2026, mais de seis mil pessoas morreram de doenças relacionadas ao 11 de Setembro. Inicialmente, o governo da cidade de Nova Iorque disse aos trabalhadores de resgate no Marco Zero que o ar era seguro para respirar.[254]
O FBI considera sua investigação sobre o 11 de Setembro, denominada PENTTBOM, a maior investigação criminal de sua história.[256][257] Outras investigações federais norte-americanas incluíram a Investigação Conjunta das Atividades da Comunidade de Inteligência e a Comissão do 11 de Setembro.[258][259] Depois dos atentados, numerosos países fortaleceram sua legislação antiterrorista.[260] O Congresso dos Estados Unidos aprovou o USA PATRIOT Act, que ampliou os poderes das agências federais norte-americanas para revistar e vigiar suspeitos de crimes; a NSA logo desenvolveu um amplo aparato para vigiar as comunicações de norte-americanos pela internet, independentemente de serem suspeitos de crimes.[261] Várias agências federais norte-americanas foram criadas para impedir atentados semelhantes: o Departamento de Segurança Interna, o Serviço de Imigração e Alfândega e a Administração de Segurança dos Transportes (TSA).[262][263] A segurança aeroportuária passou a ser operada pela TSA, em substituição às empresas privadas de segurança contratadas pelas companhias aéreas. Medidas adicionais de segurança tornaram-se obrigatórias nos pontos de controle dos aeroportos.[264][265] Os Estados Unidos também aumentaram a colaboração com outros países no contraterrorismo, provocando uma diminuição do número de células terroristas islâmicas em seu território.[264][266]
Planejamento
[editar | editar código]Em 1996, Khalid Sheikh Mohammed apresentou a bin Laden uma versão modificada da ideia do Plano Bojinka;[267][268] nos Estados Unidos, a al-Qaeda sequestraria dez aviões comerciais e lançaria nove deles contra monumentos. A bordo do décimo, Mohammed e outros sequestradores matariam todos os passageiros adultos do sexo masculino e pousariam o avião em um aeroporto norte-americano. Ali, Mohammed faria um discurso sobre a política externa dos Estados Unidos, e as mulheres e crianças seriam libertadas ilesas.[97] Bin Laden rejeitou o plano por sua complexidade,[269] mas, anos depois, autorizou-o a trabalhar em uma versão reduzida.[270][269] Al-Zawahiri convenceu bin Laden a prosseguir com os atentados e construiu a "organização sistemática" que permitiu à al-Qaeda executá-los.[209]
Em 1999, bin Laden, Khalid Sheikh Mohammed e Mohammed Atef elaboraram o plano geral do 11 de Setembro.[270][97] Enumeraram possíveis alvos, entre eles o World Trade Center, o Pentágono, o Capitólio dos Estados Unidos e a Casa Branca.[97] Decidiram que, caso algum dos sequestradores não conseguisse alcançar seu alvo, deveria derrubar o avião.[271] Bin Laden e outros dirigentes da al-Qaeda escolheram os sequestradores em 2000.[272][273] Cerca de 21 homens, entre eles Mohamed Atta, foram selecionados; um deles, Ramzi bin al-Shibh, teve logo o visto norte-americano negado, e outro provável escolhido, Zacarias Moussaoui, foi preso em agosto de 2001, de modo que ao final foram dezenove.[272][274][275][276] Em vez de participar diretamente, bin al-Shibh atuou como intermediário entre os sequestradores e a direção da al-Qaeda durante os preparativos.[274][275] Em julho de 2001, bin al-Shibh reuniu-se com Atta na Espanha, e ambos fizeram a confirmação final dos alvos. Ele informou a Atta que bin Laden queria que os atentados ocorressem o mais rapidamente possível.[277]
de Kenneth Williams, 10 de julho de 2001
"O propósito desta comunicação é informar ao Bureau e [a seus agentes em] Nova Iorque sobre a possibilidade de um esforço coordenado de USAMA BIN LADEN (UBL) para enviar estudantes aos Estados Unidos a fim de frequentar universidades e faculdades de aviação civil. [O FBI em] Phoenix observou um número extraordinário de indivíduos de interesse investigativo que frequentam ou frequentaram universidades e faculdades de aviação civil no estado do Arizona."
Nos meses anteriores ao 11 de Setembro, os órgãos de inteligência norte-americanos receberam numerosos alertas sobre um ataque iminente da al-Qaeda ao país. Na época, muitos desses órgãos não cooperavam de maneira significativa entre si nas investigações; por isso, o governo não reuniu os avisos em um quadro coerente do atentado que se aproximava.[278][279][280] Em julho de 2001, o agente do FBI Kenneth Williams escreveu o "Memorando de Phoenix", advertência que circulou dentro do FBI segundo a qual bin Laden enviava seguidores ao Arizona para treinamento de voo. A direção da agência só tomou conhecimento do documento depois dos atentados.[281] Em 6 de agosto, Bush recebeu um relatório de inteligência intitulado "Bin Ladin decidido a atacar nos Estados Unidos" [sic].[282]
Responsabilidade
[editar | editar código]No dia dos atentados, os serviços de inteligência norte-americanos e alemães interceptaram comunicações que indicavam a responsabilidade de bin Laden.[283][284] Naquela noite, o presidente norte-americano George W. Bush escreveu em seu diário: "Achamos que é Osama bin Laden".[285] Posteriormente, os serviços de inteligência dos Estados Unidos e do Reino Unido afirmaram que as provas que ligavam a al-Qaeda e bin Laden ao 11 de Setembro eram claras e irrefutáveis.[286][287][288]
Em novembro de 2001, soldados norte-americanos no Afeganistão encontraram uma fita de vídeo na qual bin Laden conversa com Khaled bin Ouda bin Mohammed al-Harbi sobre o que provavelmente eram os atentados de 11 de setembro.[289][63] Os Estados Unidos divulgaram a gravação em 13 de dezembro. Nela, bin Laden afirma que havia sido "calculado antecipadamente [qual] seria o número de baixas do inimigo com base na posição das torres". Em seguida, parece dizer que o 11 de Setembro superou suas expectativas porque os impactos dos aviões em Nova Iorque provocaram, involuntariamente, o desabamento completo das Torres Gêmeas:[63]

"Eu pensava que o fogo do combustível do avião derreteria a estrutura de ferro do edifício e faria desabar apenas a área atingida pelo avião e os andares acima dela. Era tudo o que esperávamos."
Em 26 de dezembro, a Al Jazeera transmitiu uma mensagem em vídeo de bin Laden, na qual ele novamente parece assumir implicitamente a responsabilidade pelo 11 de Setembro: "Nosso terrorismo contra os Estados Unidos é digno de elogios por [...]". A gravação provavelmente havia sido feita cerca de duas semanas antes, pois ele menciona que haviam se passado três meses desde um "ataque abençoado" contra os Estados Unidos. Depois disso, foram divulgadas muitas outras gravações de áudio vagas e enigmáticas de bin Laden.[63] Khalid Sheikh Mohammed e bin al-Shibh assumiram a responsabilidade pelos atentados em 2002.[290]
Em um vídeo de 2004, bin Laden confirmou inequivocamente que havia organizado o 11 de Setembro.[68][291] Também ameaçou realizar novos ataques contra os Estados Unidos e acusou George W. Bush de negligência por não ter impedido os sequestros.[68][98] O vídeo foi transmitido pela primeira vez pela Al Jazeera quatro dias antes da eleição presidencial norte-americana de 2004. Analistas afirmam que o momento da divulgação pode ter influenciado a vitória de Bush contra John Kerry; segundo eles, o vídeo reforçou o medo do terrorismo entre os norte-americanos depois do 11 de Setembro e, para muitos eleitores, fez Bush parecer um protetor mais forte do país do que Kerry, acusado pelos adversários de ser brando em relação ao terrorismo.[68]
Depois do vídeo de 2004, a al-Qaeda passou a divulgar regularmente gravações de bin Laden, demonstrando que ele continuava vivo enquanto permanecia escondido.[292][293] Uma delas, lançada em 2006, mostra bin Laden com bin al-Shibh e dois sequestradores do 11 de Setembro, Hamza al-Ghamdi e Wail al-Shehri, enquanto preparavam os ataques.[294][295] Em um vídeo de 2007, bin Laden negou que a Talibã tivesse conhecimento prévio do 11 de Setembro.[296]
Suposto papel saudita
[editar | editar código]O Relatório da Comissão do 11 de Setembro declarou que "a origem dos recursos [da al-Qaeda] permanece desconhecida" e que a comissão "não encontrou provas de que qualquer governo estrangeiro ou autoridade de governo estrangeiro tenha fornecido financiamento" para o 11 de Setembro.[270] Apesar dessa conclusão — e de bin Laden ter sido exilado pela Casa de Saud em 1991 —, alguns investigadores norte-americanos alegam que a Arábia Saudita financiou os atentados.[297][298] O país nega a acusação.[299]
Vários órgãos federais norte-americanos investigaram possíveis vínculos financeiros entre a Arábia Saudita e bin Laden antes do 11 de Setembro.[297][300] Depois dos atentados, a BBC News citou uma fonte da inteligência norte-americana que afirmou que, após Bush tomar posse como presidente em janeiro daquele ano, seu governo obrigou os órgãos a interromper a investigação de quaisquer conexões.[297][301]
Em 2002, a Investigação Conjunta das Atividades da Comunidade de Inteligência divulgou publicamente seu relatório final sobre o 11 de Setembro. Vinte e oito páginas do documento foram mantidas sob sigilo a pedido do governo Bush.[302][303] Elas foram desclassificadas em 2016 e contêm detalhes sobre o suposto envolvimento saudita nos atentados; o texto afirma que, "enquanto estavam nos Estados Unidos, alguns [dos] sequestradores mantiveram contato e receberam apoio ou assistência de pessoas que podem ter ligações com o governo saudita".[304]
Carreira militante e política, 2001–2011
[editar | editar código]Caçada a bin Laden e Guerra do Afeganistão
[editar | editar código]Os Estados Unidos iniciaram uma "Guerra ao Terror" global em resposta ao 11 de Setembro, que incluiu uma caçada a bin Laden.[260][305] Pouco depois dos atentados, a Talibã recusou-se a extraditá-lo para os Estados Unidos; ofereceu-se para julgá-lo perante um tribunal islâmico, proposta rejeitada pelo governo norte-americano.[306] A Divisão de Atividades Especiais da CIA foi encarregada de localizá-lo e, em seguida, matá-lo ou capturá-lo.[260] O FBI apresentou uma lista dos Terroristas Mais Procurados, inicialmente com 22 nomes, colocando bin Laden no topo como o indivíduo cuja localização era mais importante. A agência ofereceu recompensa de cinco milhões de dólares por informações que levassem à captura de cada pessoa, exceto bin Laden, cuja recompensa era de 25 milhões.[307][308] A Airline Pilots Association e a Air Transport Association ofereceram mais dois milhões de dólares.[309]
A partir de 7 de outubro de 2001, uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos invadiu o Afeganistão para derrubar a Talibã e capturar integrantes da al-Qaeda, sobretudo bin Laden.[260] Assim começou a Guerra do Afeganistão (2001–2021).[310] Em 14 de outubro, a Talibã ofereceu entregar bin Laden a um terceiro país para julgamento em troca do fim da invasão norte-americana. Bush rejeitou a proposta e afirmou que a posição dos Estados Unidos não era negociável: "Não há necessidade de discutir inocência ou culpa. Sabemos que ele é culpado."[306]

Em novembro de 2001, combatentes da al-Qaeda ainda resistiam nas montanhas orientais do Afeganistão.[311] Enquanto isso, a CIA acompanhava atentamente os movimentos de bin Laden na esperança de capturá-lo. Em 10 de novembro, avistou-o perto de Jalalabad, viajando em uma comitiva de duzentas caminhonetes.[312] Em seguida, o grupo dirigiu-se ao campo de treinamento da al-Qaeda situado em seu complexo defensivo de Tora Bora, na cordilheira de Safed Koh.[312] O local ficava a cerca de trinta quilômetros da fronteira oriental do Afeganistão com o Paquistão.[110]
Os Estados Unidos atacaram o complexo de Tora Bora na Batalha de Tora Bora, entre novembro e dezembro.[313] No início da batalha, informações da CIA indicavam que bin Laden e a direção da al-Qaeda estavam encurralados nas cavernas do complexo e, em 1.º de dezembro, o oficial da CIA Gary Berntsen pediu ao general Tommy Franks que enviasse integrantes dos Rangers do Exército dos Estados Unidos para bloquear as passagens montanhosas rumo ao Paquistão e impedir a fuga de bin Laden. Franks negou o pedido, pois concordava com o governo Bush que o Paquistão capturaria bin Laden caso ele tentasse cruzar a fronteira.[314][315][316] Acredita-se convencionalmente que bin Laden tenha escapado em 15 de dezembro.[317]
Ao fim da batalha, a Talibã havia sido deposta. Posteriormente, seus integrantes reorganizaram-se na insurgência talibã, que combateu os Estados Unidos, seus aliados e o novo governo afegão até a Talibã retomar o país em 2021.[310][313]
Operações da al-Qaeda depois do 11 de Setembro
[editar | editar código]Depois do 11 de Setembro, a Interpol emitiu um mandado de prisão contra Ayman al-Zawahiri por seu envolvimento nos atentados. Enquanto permanecia escondido, tornou-se porta-voz da al-Qaeda, emitindo suas fatwas e aparecendo em declarações em vídeo destinadas ao público. Ao longo da década de 2000, criou afiliadas da al-Qaeda na Argélia, no Egito, na Indonésia, na Líbia, no Mali, na Nigéria, na Arábia Saudita, na Somália e no Uzbequistão. O Guardian escreveu que, até 2009, a inteligência norte-americana considerava al-Zawahiri "o comandante estratégico da al-Qaeda, relegando bin Laden à condição de figura de proa ideológica".[209]
Também depois dos atentados, os Estados Unidos abriram pelo mundo numerosas prisões secretas da CIA, ou locais clandestinos, além do campo de detenção da Baía de Guantánamo, em Cuba, e da prisão de Bagram, no Afeganistão, todos destinados a manter militantes e terroristas confirmados ou suspeitos.[318][319][320] Nesses locais, os Estados Unidos empregaram métodos de tortura, oficialmente denominados "técnicas avançadas de interrogatório", contra os prisioneiros, por vezes na tentativa de obter informações sobre a al-Qaeda.[321][322][323][324] Pesquisas concluíram que a tortura não funciona como técnica de interrogatório e frequentemente leva as vítimas a fornecer informações falsas.[325] Khalid Sheikh Mohammed e Ramzi bin al-Shibh esconderam-se no Paquistão depois do 11 de Setembro.[326] Bin al-Shibh foi capturado em 2002[327] e Mohammed em 2003.[328] Ambos foram torturados em locais clandestinos da CIA.[329]
Em 12 de outubro de 2002, na ilha indonésia de Bali, um grupo atualmente extinto ligado à al-Qaeda, o Jemaah Islamiyah, detonou três bombas: duas na praia de Kuta, em locais historicamente frequentados por turistas australianos, e uma em um consulado australiano.[330][331] Os ataques mataram 202 pessoas, das quais 88 australianas, e feriram centenas.[331]
Em 15 e 20 de novembro de 2003, a al-Qaeda e islamistas turcos que colaboravam com ela detonaram bombas em Istambul, uma em um consulado britânico e outra em um banco HSBC, empresa britânica. Vinte e sete pessoas morreram e quatrocentas ficaram feridas. O principal diplomata britânico na cidade, o cônsul-geral Roger Short, estava entre os mortos.[332]
Em Londres, em 7 de julho de 2005, um ônibus e três trens do Metropolitano de Londres foram atingidos por atentados a bomba, que mataram 52 pessoas e feriram mais de setecentas.[333][334] Em 21 de julho, outras quatro bombas foram detonadas na cidade, mas não causaram mortes nem feridos. As células terroristas responsáveis pelos dois ataques tinham ligações com a al-Qaeda.[334][335]
Em 2009, al-Zawahiri fundiu a al-Qaeda no Iêmen e a al-Qaeda da Arábia Saudita na "Al-Qaeda na Península Arábica" (AQAP). O Guardian escreveu que a AQAP "demonstrou ser a mais leal e eficaz das afiliadas [da al-Qaeda]" criadas por al-Zawahiri na década de 2000.[209][234]
Em julho de 2010, Ahmad Sidiqi, visitante frequente de uma mesquita alemã que mantivera vínculos com a célula terrorista alemã da al-Qaeda na década de 1990, foi capturado no Afeganistão. Em seguida, foi interrogado pelos Estados Unidos na prisão de Bagram.[274][336] As autoridades norte-americanas haviam torturado prisioneiros de Bagram durante interrogatórios na década de 2000 e possivelmente ainda o faziam em 2012.[324][337] Segundo os Estados Unidos, Sidiqi informou que bin Laden havia ordenado recentemente que a al-Qaeda realizasse atentados terroristas em toda a Europa.[274][338][339] As autoridades europeias acabaram frustrando o plano de bin Laden.[340]
Guerra do Iraque
[editar | editar código]Liderada pelos Estados Unidos, uma coalizão internacional invadiu o Iraque em março de 2003 para derrubar o governo de Saddam Hussein, dando início à Guerra do Iraque (2003–2011). Antes da invasão, o governo Bush associou Saddam à al-Qaeda e ao 11 de Setembro, embora internamente não dispusesse de provas de que o Iraque estivesse envolvido nos atentados.[341][342] O governo de Saddam foi derrubado em abril. Os opositores da invasão formaram então a insurgência iraquiana, que combateu a coalizão e o governo substituto instalado por ela, a Autoridade Provisória da Coalizão.[343] Em 2004, Abu Musab al-Zarqawi, dirigente do grupo insurgente sunita iraquiano Jama'at al-Tawhid wal-Jihad (JTJ), declarou a fidelidade do grupo à al-Qaeda, em troca do reconhecimento público por bin Laden de que ele chefiaria uma nova versão da JTJ, a Al-Qaeda no Iraque (AQI).[344][345] A AQI tornou-se uma das principais forças insurgentes.[345] Em novembro de 2005, realizou atentados suicidas contra três hotéis em Amã, matando sessenta pessoas.[346][347]
Al-Zarqawi pretendia utilizar a instabilidade causada pela guerra da insurgência contra a coalizão para ampliar a violência sectária entre sunitas e xiitas iraquianos, atacando os xiitas e seus locais sagrados. Procurava provocar uma guerra civil sectária que restabelecesse a dominação nacional dos sunitas sobre os xiitas, encerrada com a derrubada de Hussein.[344][345][348] Em 2006, a AQI reivindicou a autoria do atentado de 22 de fevereiro contra a Mesquita de al-Askari, em Samarra, Iraque, um dos locais mais sagrados do xiismo, que destruiu a parte superior exterior do edifício. A violência sectária aumentou como al-Zarqawi pretendia.[348] Ele foi morto pelos Estados Unidos em junho, mas sua morte não conteve a violência.[349]
A vacância na direção da AQI depois da morte de al-Zarqawi levou a organização a transformar-se no Estado Islâmico do Iraque; sua fidelidade à al-Qaeda continuou.[350] O Estado Islâmico do Iraque decidiu conquistar grandes extensões do território iraquiano enquanto combatia a coalizão, o que reduziu o apoio à al-Qaeda entre sunitas contrários à coalizão, inclusive militantes extremistas.[351][352] A violência entre sunitas e xiitas só diminuiu depois de 2007, quando o Estado Islâmico do Iraque foi enfraquecido pelo aumento da reação de muçulmanos e pela decisão dos Estados Unidos de ampliar drasticamente o número de soldados no país para tentar estabilizá-lo.[351][343][345] O Estado Islâmico do Iraque tornou-se independente da al-Qaeda em 2013 e passou a chamar-se "Estado Islâmico do Iraque e da Síria", conhecido como "Estado Islâmico" (EI).[350][353] O EI continuou os atentados terroristas e as conquistas de seu antecessor.[354]
Continuação da caçada
[editar | editar código]Atividades do governo norte-americano, 2006–2009
[editar | editar código]Em julho de 2006, o New York Times revelou, com base em fontes anônimas da CIA, que a Unidade de Investigação sobre Bin Laden havia sido encerrada no fim de 2005.[355][356] Em setembro de 2006, as forças armadas norte-americanas revelaram que o integrante da al-Qaeda Atiyah Abd al-Rahman havia enviado uma carta a al-Zarqawi em dezembro de 2005. Encontrada em uma das casas seguras de al-Zarqawi no Iraque depois de sua morte, a mensagem indicava que bin Laden e os demais dirigentes da al-Qaeda estavam naquele momento na região do Waziristão, no Paquistão; al-Rahman instruía al-Zarqawi a enviar mensageiros à região para que se reunissem com os outros líderes. A carta indicava que a organização havia sido enfraquecida por vários problemas.[357][358] Forças norte-americanas e afegãs voltaram a invadir as cavernas de Tora Bora em agosto de 2007, depois de receber informações sobre uma reunião planejada entre integrantes da al-Qaeda antes do Ramadã. Após matar dezenas de membros da al-Qaeda e da Talibã, não encontraram bin Laden nem al-Zawahiri.[359]

Durante a campanha de Barack Obama para a eleição presidencial norte-americana de 2008, ele prometeu: "Mataremos bin Laden. Esmagaremos a al-Qaeda. Essa deve ser nossa maior prioridade de segurança nacional."[360] Como presidente, Obama rejeitou a estratégia do governo Bush de concentrar a caçada nas relações de bin Laden com outros grupos militantes, como o Hamas e o Hezbollah. Em vez disso, restringiu o foco dos Estados Unidos à al-Qaeda e às suas afiliadas diretas.[361][362]
A ABC News escreveu posteriormente que, "no verão de 2009, a pista de bin Laden havia esfriado. A CIA simplesmente não dispunha de provas concretas de nenhum lugar em que ele tivesse estado desde [a Batalha de Tora Bora]".[363] Em dezembro, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, afirmou que o país não recebia havia anos informações confiáveis sobre o paradeiro de bin Laden.[364][365][g] Dias depois, o general norte-americano Stanley McChrystal indicou que a inteligência dos Estados Unidos acreditava que bin Laden ainda estivesse vivo. Também afirmou que o recente envio de trinta mil soldados adicionais ao Afeganistão por Obama tornava possível encontrá-lo e que, embora matar ou capturar bin Laden não dissolvesse a al-Qaeda, a organização definitivamente não poderia ser desmantelada enquanto ele permanecesse em liberdade, pois sua sobrevivência encorajava seus integrantes em todo o mundo.[365]
Outras alegações sobre a localização de bin Laden
[editar | editar código]Em fevereiro de 2009, uma equipe de pesquisadores da UCLA concluiu, com base em análises geográficas de imagens de satélite, que três complexos em Parachinar, Khyber Pakhtunkhwa, eram os esconderijos mais prováveis de bin Laden.[366] Em dezembro, o primeiro-ministro paquistanês Yusuf Raza Gilani rejeitou as alegações de que bin Laden estivesse no país.[367] O Paquistão afirmou que seus recursos de inteligência eram limitados e, portanto, estavam concentrados na guerra contra a Talibã paquistanesa e outros insurgentes, e não na localização de bin Laden.[368] Em fevereiro de 2010, o presidente afegão Hamid Karzai chegou à Arábia Saudita para negociações diplomáticas sobre a Talibã. Durante a visita, uma autoridade anônima do Ministério das Relações Exteriores saudita declarou que a Casa de Saud não pretendia envolver-se nos esforços de paz no Afeganistão enquanto a Talibã não rompesse os vínculos com extremistas e expulsasse bin Laden, supostamente sob sua proteção.[369] Em junho, o jornal kuwaitiano Al-Seyassah informou que bin Laden se escondia na cidade de Sabzevar, no Irã.[370]
Descoberta do complexo de bin Laden pelos Estados Unidos
[editar | editar código]Em agosto de 2010, enquanto a inteligência norte-americana vigiava um homem identificado como mensageiro de bin Laden, Abu Ahmad al-Kuwaiti, em Khyber Pakhtunkhwa, ele entrou em um complexo na cidade de Abbottabad. Continuou visitando o local com frequência, e os Estados Unidos formularam a hipótese de que bin Laden vivia ali.[371][372][373] O complexo ficava a menos de 2 quilômetros (1 mi) da Academia Militar do Paquistão e a menos de 100 quilômetros (62 mi) de Islamabade.[374][375][376]
Posteriormente, a inteligência norte-americana concluiu que o complexo provavelmente havia sido construído para bin Laden[377] e talvez fosse sua residência havia pelo menos cinco anos.[378][379] Imagens de satélite da área em 2004 não mostram nenhuma construção no terreno.[371]
Em outubro de 2010, uma autoridade não identificada da OTAN sugeriu que bin Laden estava vivo, com boa saúde e vivendo confortavelmente no Paquistão, protegido por elementos dos serviços de inteligência do país. Uma autoridade paquistanesa de alto escalão negou as alegações e afirmou que haviam sido inventadas para pressionar o Paquistão antes de negociações destinadas a fortalecer suas relações com os Estados Unidos.[380]
Em julho de 2011, tornou-se público que, depois de descobrir o complexo e para confirmar que bin Laden o ocupava, a CIA organizou uma campanha gratuita e secretamente falsa de vacinação contra a hepatite B em Khyber Pakhtunkhwa. A agência esperava que um dos parentes de bin Laden que viviam com ele recebesse a vacina, para então extrair o DNA do sangue deixado na agulha e compará-lo ao DNA de uma irmã de bin Laden, obtido por autoridades norte-americanas depois que ela morreu em Boston em 2010.[381][382] A operação fracassou, e sua revelação contribuiu para aumentar a hesitação vacinal no Paquistão, provocando uma elevação dos casos de poliomielite no país.[382]
Morte
[editar | editar código]Em 2 de maio de 2011,[383] bin Laden foi baleado e morto em seu complexo em Abbottabad, pouco depois da 1h da madrugada no horário padrão do Paquistão, durante uma incursão de uma unidade de operações especiais das forças armadas norte-americanas.[384][385][386] A incursão, denominada Operação Lança de Netuno, foi ordenada por Obama em abril e executada em uma operação da CIA por uma equipe de SEALs da Marinha dos Estados Unidos do SEAL Team Six, integrante do Joint Special Operations Command. Eles receberam apoio de agentes da CIA em terra.[374][387][388][389] A incursão partiu do Afeganistão.[390]
A imprensa divulgou amplamente que bin Laden havia sido ferido mortalmente pelo SEAL Robert J. O'Neill; contudo, testemunhas também contestaram amplamente essa versão e afirmaram que ele possivelmente já estava morto quando O'Neill chegou, depois de ser ferido por um SEAL não identificado, apelidado de "Red".[391][392] O SEAL Matt Bissonnette afirma que bin Laden morreu depois de ele e outro SEAL dispararem várias vezes contra seu peito.[393]
Os SEALs retiraram o corpo de bin Laden de Abbottabad. Ao descrever a incursão aos jornalistas, autoridades norte-americanas afirmaram que o corpo foi levado de avião ao Afeganistão para identificação e depois ao USS Carl Vinson, no mar da Arábia, de onde foi sepultado no mar de acordo com os costumes islâmicos.[394] Reportagens posteriores colocaram essa versão em dúvida.[395]
Consequências
[editar | editar código]Depois da notícia da morte de bin Laden, ocorreram grandes comemorações em frente à Casa Branca e em Nova Iorque.[396] O Washington Post descreveu como "contida" a reação do mundo árabe.[397] Na América Latina, as opiniões dos dirigentes políticos sobre sua morte variaram. Entre os apoiadores estava o então presidente esquerdista do Peru,[398] Alan García, que chamou o acontecimento de "primeiro milagre realizado pelo [falecido papa] João Paulo II" depois de sua beatificação na semana anterior; outros condenaram os Estados Unidos por violar a soberania paquistanesa para realizar a incursão.[399] Na Índia, a revelação de possíveis vínculos entre bin Laden e o governo paquistanês provocou "júbilo", pois muitos habitantes consideraram que ela demonstrava a superioridade moral da Índia sobre o Paquistão, seu adversário histórico.[400]
Em 18 de maio, os Estados Unidos declararam que não pagariam a ninguém a recompensa de 25 milhões de dólares por bin Laden.[363] Em 15 de junho, promotores federais norte-americanos retiraram oficialmente todas as acusações criminais contra ele.[401] Ayman al-Zawahiri sucedeu bin Laden como emir da al-Qaeda, e as afiliadas da organização na Ásia e na África juraram-lhe fidelidade. Permaneceu no cargo até ser morto em 2022.[209]
Em 2012, o Paquistão divulgou um relatório de inteligência que detalhava os movimentos de bin Laden enquanto vivera no país, com base nos interrogatórios de suas três esposas sobreviventes.[402] Em 2016, documentos divulgados revelaram que bin Laden havia pedido a seus familiares que utilizassem na "jihad" os 29 milhões de dólares que herdariam dele após sua morte. Afirmou que o dinheiro estava no Sudão, mas não esclareceu se consistia em espécie ou ativos. Não se sabe se algum familiar chegou a receber os recursos.[403]
Controvérsia sobre o suposto apoio paquistanês
[editar | editar código]Depois da morte de bin Laden, Husain Haqqani, embaixador paquistanês nos Estados Unidos, prometeu uma "investigação completa" sobre como o ISI poderia não ter encontrado bin Laden em um complexo fortificado tão próximo de Islamabade: "Obviamente, bin Laden dispunha de uma rede de apoio. [Essa] rede de apoio estava dentro do governo [do] Paquistão ou na sociedade paquistanesa?"[404]
Durante anos, Estados Unidos e Paquistão sustentaram conjuntamente que nenhuma autoridade paquistanesa conhecia a localização de bin Laden nem sabia da Operação Lança de Netuno antes de sua realização.[405][406] Jornalistas apresentaram avaliações divergentes dessas afirmações. Carlotta Gall informou em 2014 que Ahmad Shuja Pasha, enquanto ocupava a chefia do ISI de 2008 a 2012, conhecia a localização de bin Laden;[407] em 2015, Seymour Hersh citou fontes norte-americanas ao informar que:[395]
- Bin Laden era, na realidade, mantido como prisioneiro pelo ISI no complexo de Abbottabad desde 2006;
- A CIA descobrira a localização de bin Laden por intermédio de um antigo agente de inteligência que trabalhara sob as ordens de Pasha;
- Em troca da informação, o agente recebeu secretamente grande parte da recompensa norte-americana de 25 milhões de dólares;
- Enquanto chefiava o ISI, Pasha soube antecipadamente da Operação Lança de Netuno e autorizou os helicópteros norte-americanos a entrar no espaço aéreo paquistanês durante a operação.
Em contraste, Steve Coll escreveu em 2018 que os documentos retirados do complexo durante a incursão mostravam, em geral, que bin Laden receava contatar a inteligência e a polícia paquistanesas para tratar de várias preocupações, sobretudo porque o Paquistão havia prendido Khalid Sheikh Mohammed.[408]
Em 2019, as alegações anteriores dos Estados Unidos e do Paquistão foram contraditas por Imran Khan, primeiro-ministro paquistanês de 2018 a 2022, quando afirmou que o ISI havia conduzido a CIA até bin Laden: "[...] foi o ISI que forneceu as informações que levaram à localização de Osama bin Laden. Se perguntarem à CIA, foi o ISI que forneceu a localização inicial por meio da conexão telefônica." Ele não deu mais explicações.[409]
Vida pessoal
[editar | editar código]Na idade adulta, bin Laden foi descrito como magro, alto e com cerca de 73 quilogramas.[410][411][412] Costumava caminhar com uma bengala[307] e pode ter sofrido de algum tipo de doença renal.[18][h] Nasser al-Bahri, guarda-costas de bin Laden entre 1997 e 2001, descreveu-o como um homem frugal e um pai rigoroso, que levava a família para fazer piqueniques no deserto e praticava tiro recreativo com ela.[413] Al-Bahri declarou que bin Laden jogou futebol e voleibol em certa ocasião e que, quando ambos se conheciam, ele era obcecado por cavalos negros e pelo clube de futebol inglês Arsenal.[43] Bin Laden também escrevia poesia jihadista.[36][i]
Em 1974, bin Laden casou-se com Najwa Ghanem, sua prima em primeiro grau.[416][417] Tiveram onze filhos e separaram-se poucos dias antes do 11 de Setembro.[418] Em 1983, casou-se com Khadijah Sharif. Tiveram três filhos e divorciaram-se em 1993.[418][419] Em 1985, casou-se com Khairiah Sabir, com quem teve um filho, Hamza, que pode ter sido dirigente da al-Qaeda.[418][419][j] Osama casou-se com Siham Sabir em 1987, e tiveram quatro filhos.[418][419][k] Seu quinto casamento foi com uma mulher não identificada, em 1996; ele foi anulado poucos dias depois da cerimônia. Em 2000, casou-se com Amal al-Sadah, com quem teve cinco filhos.[418][419]
| Najwa Ghanem
casamento em 1974 |
Khadijah Sharif
casamento em 1983 |
Khairiah Sabir
casamento em 1985 |
Siham Sabir
casamento em 1987 |
Não identificada
casamento e anulação em 1996 |
Amal al-Sadah
casamento em 2000 |
|---|---|---|---|---|---|
|
|
|
|
Nenhum |
|
Legado
[editar | editar código]No Ocidente, bin Laden é considerado predominantemente um terrorista e assassino em massa.[426][8] Seu obituário no New York Times afirmou que, em geral, os norte-americanos o viam como o principal símbolo do terrorismo mundial e como figura equivalente a Adolf Hitler ou Josef Stalin.[8] Sua popularidade entre os muçulmanos atingiu o auge durante a Guerra do Iraque; pesquisas de opinião indicavam que cerca de cinquenta a sessenta por cento das pessoas em determinados países muçulmanos tinham uma visão favorável dele. O New York Times resumiu assim uma pesquisa de 2004 sobre as opiniões dos sauditas a respeito de bin Laden: "sim à retórica de bin Laden, não à violência da al-Qaeda".[427][428][429] Quando bin Laden morreu, o Pew Research Center constatou, com base em pesquisas, que ele havia se tornado "desacreditado" entre seus apoiadores árabes nos anos anteriores.[430] Em 2020, Imran Khan condenou a morte de bin Laden, classificando-a como "um momento constrangedor" da história do Paquistão, e elogiou-o como "mártir".[431][432]
Ver também
[editar | editar código]Notas e referências
Notas
- ↑ Nome completo em em árabe: أسامة بن محمد بن عوض بن لادن; romaniz.: Usāma bin Muḥammad bin ʿAwaḍ bin Lādin. Também transliterado como Usama Bin Ladin.[1]
- ↑ Ele morreu em um acidente aéreo; em 1988, o irmão de Osama, Salem bin Laden, morreu da mesma forma. A família bin Laden também foi a primeira família saudita do setor privado a possuir aviões. O historiador Steve Coll especulou que o histórico da família com aeronaves inspirou o uso posterior delas por Osama no terrorismo.[27]
- ↑ [46][47][48][49][50]
- ↑ Três alvos eram símbolos de religiões não islâmicas e esperavam receber turistas norte-americanos no Ano-Novo: o templo romano de Hércules, na Cidadela de Amã, em Amã; uma colina próxima ao mar Morto, em Al-Maghtas, onde ocorreu o batismo de Jesus; e o monte Nebo, de onde Moisés viu a Terra Prometida. O quarto era o hotel Radisson de Amã, que receberia muitos turistas norte-americanos e israelenses.
- ↑ No verso, lê-se: "Você pode receber milhões de dólares por ajudar as forças contrárias à Talibã a capturar os assassinos da al-Qaeda e da Talibã. Dinheiro suficiente para cuidar de sua família, de seu povoado e de sua tribo pelo resto da vida. Pague gado, médicos, livros escolares e moradia para todo o seu povo."
- ↑ No verso, lê-se: "Recompensa de até 25 milhões de dólares por informações que levem ao paradeiro ou à captura destes dois homens!"
- ↑ A declaração respondia ao relato recente de um detido da Talibã no Paquistão, segundo o qual bin Laden estivera no Afeganistão no início de 2009. O detido disse que, em janeiro ou fevereiro, encontrara um associado de confiança que alegava ter visto bin Laden no Afeganistão cerca de quinze a vinte dias antes. Gates declarou não poder confirmar a história.[364]
- ↑ Ele supostamente acreditava que o consumo de mel curava a maioria das doenças.[43]
- ↑ Talvez relacionado aos interesses de bin Laden, em 2017 a CIA divulgou 470 mil arquivos de computador encontrados em discos rígidos no complexo de Abbottabad e apreendidos durante a incursão. Os arquivos incluíam filmes, programas de televisão e jogos eletrônicos pirateados na internet. Muitos tinham temática de anime ou conteúdo pornográfico. Na maioria dos casos, não se sabe quais arquivos foram usados por bin Laden ou pelos outros moradores do complexo.[414][415][363]
- ↑ Pelo menos antes de 2019, Hamza atuava como terrorista da al-Qaeda. Em 2019, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que os Estados Unidos o haviam matado em um ataque com drones; posteriormente, relatos não confirmados de 2024 afirmaram que Hamza ainda estava vivo e dirigia operações da al-Qaeda no Afeganistão.[420][421]
- ↑ Um deles, Khalid, também foi morto na incursão em Abbottabad.[422]
- ↑ [418][419][272][421][423][424][425][371]
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The area was not divided on sectarian lines in the past. The first major sectarian clash occurred almost 30 years ago, after anti-Shia riots broke out in May 1988 over the sighting of the moon, which ushers the end of the holy month of Ramzan. When Shias in Gilgit celebrated Eidul Fitr, a group of extremist Sunnis, still fasting because their religious leaders had not announced the sighting of the moon, attacked them. This led to violent clashes between the two sects. In 1988, after a brief calm of nearly four days, the military regime allegedly used certain militants along with local Sunnis to ‘teach a lesson’ to Shias, which led to hundreds of Shias and Sunnis being killed.
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Ligações externas
[editar | editar código]- Documentos
- Osama bin Laden from FBI Records: The Vault
- November 2017 Release of Abbottabad Compound Material from CIA, including Audio, Video, Images and Documents
- The Osama bin Laden File from the National Security Archive, posted 2 May 2011
- Letters from Abbottabad (archived) from Combating Terrorism Center
- Notícias
- Osama bin Laden notícias e comentários na Al Jazeera English
- Osama bin Laden notícias em JURIST
- Full text: Bin Laden's 'letter to America', The Observer, 24 de novembro de 2002
- Hunting Bin Laden, PBS Frontline, (novembro de 2002)
- "5 Facts You Probably Didn't Know About Osama bin Laden", Dainik Bhaskar, (maio de 2016)
- Young Osama por Steve Coll, The New Yorker, 12 de dezembro de 2005
- How the World Sees Osama bin Laden (archived 2011) Uma apresentação de slides de fotos da revista Life (fotos datam de 2000 a 2010)
- Nascidos em 1957
- Mortos em 2011
- Líderes de grupos terroristas islâmicos
- Sauditas de ascendência iemenita
- Anticomunistas da Arábia Saudita
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