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Juízo Final

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Escatologia cristã
Diferenças escatológicas
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Portal do cristianismo
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Detalhe d'O Juízo Final, por Michelângelo.

Juízo Final, Julgamento Final, o Dia do Juízo Final, ou Dia do Senhor é um conceito existente no Zoroastrismo e nas religiões abraâmicas. Esta crença inspirou numerosas obras artísticas, como pinturas, esculturas e sermões.

A parte majoritária do cristianismo considera que será o momento na Segunda Vinda de Jesus Cristo, onde Deus julgará todas as pessoas que já viveram, resultando na condenação ou salvação de todas as pessoas da Humanidade, tal conceito é encontrado em todos os evangelhos, mas particularmente no capítulo 24 do Evangelho de Mateus, visão chamada de futurismo. O Islamismo também acredita na Segunda Vinda de Jesus de forma semelhante. Alguns cristãos e a maioria dos eruditos críticos acreditam que essa profecia já se cumpriu com a queda do templo de Jerusalém no ano 70 d.C., essa visão teológica é chamada de preterismo.

Diferentes eruditos do judaísmo possuem variadas opiniões sobre o tema, mas seus profetas próximos ao Exílio da Babilônia, Isaías e Daniel mencionam tal acontecimento, mas a interpretação destas profecias variam muito dentro do povo judeu. O zoroastrismo, uma das mais antigas religiões, também acredita no salvador, na ressurreição dos mortos e em um juízo final.

Zoroastrismo

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O Zoroastrismo, religião popular persa que influenciou o desenvolvimento do judaísmo e o nascimento do cristianismo,[1] acredita que haverá o Frashokereti, um evento ímpar na história onde todo o universo será renovado após a chegada do salvador, o bem vencerá o mal de forma definitiva e será totalmente destruído, e tudo estará em perfeita unidade com Deus como no tempo da criação.[2]

Judaísmo

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No judaísmo, as crenças variam. O Ano Novo Judaico é chamado de 'Dia do julgamento', pois é quando Deus estabelece seus decretos para o próximo ano, mas não é visto como um dia do julgamento final. Alguns rabinos creem que haverá uma ressurreição dos mortos futura, enquanto outros acreditam que o julgamento final ocorre imediatamente após a morte. Outros creem que apenas os não-judeus serão julgados.[3] O Talmud Babilônico possui longas passagens que descrevem o Juízo Final.[4]

Interpretações Cristãs

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No Cristianismo o Juízo Final será o julgamento por Deus de todos os seres humanos que passaram pela terra e não aceitaram a Jesus Cristo "O Filho de Deus", como o seu Salvador. Esse evento seria precedido pela ressurreição dos mortos e pela segunda vinda de Cristo.

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O Juízo Final, D' Beato Fra Angelico (Galeria Nacional, Roma)

Descrição Bíblica

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Segundo a Bíblia, aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o Juízo final, que confirma a sentença recebida por cada pessoa no seu juízo particular.

"E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo," (Hebreus 9:27).

Depois que os céus passarem, os elementos se desfizerem, e a Terra e as obras que nela há se queimarem, Deus ressuscitará a humanidade e a reunirá, diante do Seu trono, para julgar os mortos segundo as suas obras no mundo (II Pedro 3:10-13).

"E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida: e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras" (Apocalipse 20:12).

E de acordo com (Mateus 10:26):

"Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se." Segundo o evangelista, tudo o que se fizer às escondidas em vida será revelado. Nesta fase, ocorrerá também a segunda vinda de Jesus à Terra já "destruída", para também julgar a humanidade ao lado de Deus Pai.

E aqueles cujos nomes não estiverem no Livro da Vida receberão o castigo eterno, sendo lançados em um "lago de fogo e enxofre":

"E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna." (Mateus 25:46)

"E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo." (Apocalipse 20:15), como se fosse uma espécie de segunda morte:

"Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicários, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte." (Apocalipse 21:8).

Os justos, porém, depois do Juízo Final, viverão eternamente em uma nova terra, em novos céus:

"Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça." (II Pedro 3:13), que, segundo as escrituras, se constitui no Reino de Deus realizado na sua plenitude e perfeição. Neste reino eterno, Deus será tudo em todos, durante a vida eterna:

"E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos." (I Coríntios 15:28).

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Afresco, O Juízo Final D' Michelangelo Buonarroti (Capela Sistina, Palácio Apostólico, Cidade do Vaticano)

Interpretação Cristã Ortodoxa

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A Escola Amilenista sugere que a Bíblia não faz distinção cronológica entre a Se­gunda Vinda de Cristo, o Arrebatamento da Igreja e a participação do crente no Novo Céu e na Nova Terra; que haverá apenas uma ressurreição geral dos crentes e dos in­crédulos, a qual ocorrerá durante a Segun­da Vinda; que o Juízo Final será para todos os povos; que a Tribulação é algo que ex­perimentamos na presente era; que o milê­nio referido em Apocalipse 20 não se trata de um milênio literal, pois o Reino de Deus, inaugurado visivelmente com a Primeira Vinda de Cristo à Terra, continua espiritu­almente presente, embora invisível, e será consumado com a Segunda Vinda visível de Cristo, o Rei da Glória; que entramos neste Reino pela fé, conforme João 3; e que a Bíblia não faz distinção entre a Igreja no Antigo Testamento (Israel) e a Igreja do Novo Testamento ("o novo Israel", consti­tuída de circuncisos e incircuncisos). Compartilham desta visão as Igrejas Católica Romana, Ortodoxas Orientais e Protestantes históricos.

Interpretações Cristãs Heterodoxas

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A Escola Pós-Milenista ensina que a Se­gunda Vinda ocorrerá após o Milênio, o qual não será literal, e a era presente se mistura­rá com o Milênio de acordo com o progres­so do Evangelho no mundo. Esta escola acompanha a mesma linha de interpretação da amilenista, no que concerne à Ressur­reição, ao Juízo Final, à Grande Tribulação e à posição sobre Israel e a Igreja.

A Escola Pré-Milenista divide-se em dois grupos distintos: os pré-milenistas his­tóricos e os pré-milenistas dispensa­cionalistas. Os históricos creem que a Se­gunda Vinda de Cristo para reinar nesta Terra e o Arrebatamento da Igreja aconte­cerão simultaneamente; que haverá a res­surreição dos salvos no início do Milênio, chamada a Primeira Ressurreição, e a res­surreição dos incrédulos ocorrerá no final do Milênio; que o Milênio é tanto presente como futuro - no presente, Cristo reina nos Céus e, no futuro, reinará na Terra, muito embora não considerem o período da Gran­de Tribulação e façam certa distinção entre Israel e a Igreja, enquanto "Israel espiritual".

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Julgamento final, de Jean Cousin, obra originária do Mosteiro de Vincennes, atualmente no Museu do Louvre

Os pré-milenistas dispensacionalistas ensinam que a Segunda Vinda acontecerá em duas fases distintas: na primeira, Cristo se encontrará com a Igreja nos ares e leva­rá os salvos para participar das Bodas do Cordeiro nas regiões celestiais; na segun­da, após sete anos de Tribulação na Terra sem a presença da Igreja, Cristo regressará com ela para reinar neste mundo por mil anos. Eles fazem distinção entre a ressur­reição para a Igreja, na ocasião do Arreba­tamento; a ressurreição para aqueles que virão a crer durante a Grande Tribulação de sete anos (ressurreição esta que ocorre­rá na segunda fase da Segunda Vinda de Jesus, no final da Grande Tribulação); e a ressurreição dos incrédulos no final do Mi­lênio. Distinguem também o julgamento dos crentes após o Arrebatamento (Tribu­nal de Cristo), o julgamento dos judeus e gentios convertidos no final da Grande Tri­bulação (Julgamento das Nações) e o jul­gamento dos incrédulos no final do Milê­nio (Juízo Final ou Juízo do Grande Trono Branco).

Para os dispensacionalistas, o período de sete anos da Grande Tribulação será li­teral, mas a Igreja será arrebatada antes dessa tribulação. O Milênio será inaugura­do e estabelecido com a Segunda Vinda de Jesus (na segunda fase), após a Grande Tribulação, e durará literalmente mil anos. Para estes, há distinção entre Israel e a Igreja.

Para os preteristas, que defendem visão popular entre os eruditos histórico-críticos da Bíblia, a volta de Jesus e o juízo final são simbólicas, e se referem apenas ao cumprimento de uma profecia de Jesus onde haveria a destruição do Templo de Jerusalém no ano 70 d.C. e o julgamento contra aqueles de seu povo que o rejeitaram (Daniel 12:1), pois Jesus afirmou no Evangelho de Mateus em diversos trechos que aqueles eventos ocorreriam naquela mesma geração de pessoas (Mateus 10:23; 16:57-28; 24:34) que ele se comunicava ainda nos anos 30 d.C., e não em épocas futuras. Esta visão entende que a expressão "voltar sobre as nuvens" não é um evento histórico literal, mas uma expressão idiomática, uma vez que Deus também disse que viria nas nuvens contra os egípcios em Isaías 19:1, mas esta profecia não ocorreu de modo literal.[5]

Interpretação cristã esotérica

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Embora o Juízo Final seja pregado por grande parte das igrejas cristãs, essa ideia do Juízo Final é rejeitada por outras correntes cristãs de pensamento, como o Cristianismo esotérico, que assegura que todos os seres da onda de evolução humana serão "salvos", num futuro distante, até que tenham adquirido um grau superior de consciência e altruísmo por meio dos sucessivos renascimentos.

Islamismo

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A fé no Juízo Final (em árabe: یوم القيامة; romaniz.: Yawm al-qiyāmah) é considerado um dos seis pontos centrais da fé de todos os muçulmanos, podendo ser encontrada no Alcorão, hádice (ditos de Maomé), comentários (tafsịrs), escrituas teológicas,[6] manuais de escatologia, de autores como Algazali, Ibne Catir, Ibne Maja, Albucari, e Ibne Cuzaima.

Similaridades cristãs

Assim como os cristãos, os muçulmanos creem que haverá terríveis eventos estranhos da natureza, a Segunda Vinda de Cristo, a batalha contra o anticristo (Al-Masīḥ ad-Dajjāl, literalmente "Messias Enganador"[7]) e problemas com a batalha de Gogue e Magogue, o desaparecimento de todos os devotos sinceros, ressurreição dos mortos,[8] e por último, o dia do Juízo Final, onde todos os seres humanos serão julgados. Dependendo do veredito deste julgamento, alguns ganharão o paraíso (Jannah) ou a punição do inferno (Jahannam).[9]

Salvação e danação

Neste processo, as almas vão passar pelo fogo do inferno[10] através da ponte de sirat. Para os pecadores, essa ponte será fina e afiada como espada mais afiada até que caiam no lago de fogo,[11] enquanto os justos passarão pela ponte até o paraíso (Jannah). Os muçulmanos que não passaram pelo juízo ficará no inferno até que seus pecados tenham sido expiados e depois irão ao paraíso, já os que rejeitaram a Deus ficarão lá pela eternidade.[12]

Espiritismo

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Para o Espiritismo, o "Juízo Final" é uma alegoria das religiões tradicionais que é equiparado ao que se chama, em Espiritismo, de Processo de Regeneração da Humanidade.[13]

Ou seja, a rigor, não há nenhum juízo final (derradeiro e definitivo). Há, outrossim, períodos de turbações necessárias no mundo que visam o aperfeiçoamento das condições naturais do próprio mundo e, por outro lado, ao aprimoramento intelectual e moral das pessoas que nele habitam.

Todas estas turbações, segundo o Espiritismo, não são acontecimentos que poderiam derrogar, em nenhum momento, as leis naturais que emanam de Deus: pelo contrário, viriam exatamente lhes dar cumprimento. As comoções periódicas, nos dizeres de Allan Kardec, estão presentes em quase todas as épocas da humanidade e podem ser relatadas pela história.

Mas, para o Espiritismo, os últimos séculos trazem consigo mudanças rápidas e de grande dimensão, como podemos facilmente notar no atual mundo à nossa volta, comparado historicamente a outras épocas. Dessa forma, as comoções e acontecimentos que afligem a humanidade nos tempos atuais tendem a ser de grande dimensão e intensidade, especialmente por conta do egoísmo e materialismo que os indivíduos fazem imperar no mundo, e que, estes mesmos egoísmo e materialismo, fazem os próprios meios de autodestruição (que também é constante renovação) da humanidade presente.[14]

Assim, para o Espiritismo, "Juízo Final" pode ser entendido como Renovação, Regeneração e Mudança – nunca como aniquilamento da espécie humana ou condenação eterna – mas, sempre, como grande oportunidade de Deus aos seus seres de reavaliação de valores, condutas e sentimentos, com o intuito de lhes fazer progredir.

Referências

  1. Duschesne-Guillemin, Jacques (18 de novembro de 2024). «Zoroastrianism - Nature and significance». Encyclopedia Britannica. Consultado em 2 de janeiro de 2025
  2. Boyce, Mary (1979). Zoroastrians: Their Religious Beliefs and Practices. [S.l.: s.n.] pp. 27–25
  3. «Will there be trial and judgment after the Resurrection?». Askmoses.com. Consultado em 2 maio 2012. Arquivado do original em 13 outubro 2012
  4. Brand, Ezra. «Rome and the Final Judgment: The Messianic-Era Judgement Day in the Talmud and Rome's Role in Avodah Zarah 2a-2b»
  5. Russell, James Stuart (1878). The Parousia: A Critical Inquiry in the New Testament Doctrine of Our Lord's Second Coming. [S.l.: s.n.]
  6. Smith & Haddad, Islamic Understanding, 1981: p. vii.
  7. Farhang, Mehrvash (2017). «Dajjāl». In: Madelung, Wilferd; Daftary, Farhad. Encyclopaedia Islamica. Traduzido por Negahban, Farzin. Leiden and Boston: Brill Publishers. ISSN 1875-9823. doi:10.1163/1875-9831_isla_COM_035982
  8. Amini, Ibrahim (13 janeiro 2015). «Signs of Judgement Day, Blowing of the Trumpet». Resurrection in the Quran. [S.l.]: Al-Islam.org. Consultado em 19 abril 2022
  9. Ahmed, Jafor. «Similarities and Dissimilarities between Islam and Christianity». Academia. Consultado em 19 abril 2022
  10. Al-Ghazali (1989). The Remembrance of Death and the Afterlife. [S.l.: s.n.] pp. 205–210
  11. Leviton, Richard (16 julho 2014). The Mertowney Mountain Interviews. [S.l.]: iUniverse. p. 59. ISBN 9781491741290. Consultado em 2 janeiro 2014
  12. al-Subki, Taqi al-Din. Shifāʿ al-saqamft ziyara khayr al-anam. Cairo, A. H. 1315, p. 163; quoted in Smith, Jane I.; Haddad, Yvonne Y. (1981). The Islamic Understanding of Death and Resurrection. Albany, New York: SUNY Press. p. 81
  13. KARDEC, Allan. O Livro Dos Espíritos. Parte Terceira, Capítulo 6 - Lei de Destruição.
  14. KARDEC, Allan. O Livro Dos Espíritos. Parte Terceira, Capítulo 8, Lei do Progresso- quesitos 779 a 785.

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Bibliografia

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Ligações externas

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