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Principado de Trinidad

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Não confundir com Trinidad, a ilha do Caribe


Principado de Trinidad

Estado não reconhecido


 

1893  1895
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Localização de Principado de Trinidad
Localização de Principado de Trinidad
Mapa de Trinidad do livro The Cruise of the Alerte.
Continente América do Sul
Capital Não especificada
Língua oficial Francês
Governo Monarquia/ditadura militar
Príncipe
 • 1893-1895 James I
História
  1893Fundação
  1895Dissolução

O Principado de Trinidad foi declarado um país independente em 1893,[1] quando o norte-americano James Harden-Hickey reivindicou a ilha desabitada de Trindade e Martim Vaz no Atlântico Sul, e declarou-se soberano como James I, Príncipe de Trinidad.[2][3]

De acordo com os planos de James, a ilha seria, depois de ser reconhecida como um país independente, tornar-se uma ditadura militar sob a sua liderança.[2]

Ele desenhou selos postais, uma bandeira nacional e um brasão de armas; estabeleceu uma ordem de cavalaria, a "Cruz de Trinidad"; comprou uma escuna para transportar colonos; nomeou o Conde de La Boissière como Secretário de Estado e abriu um escritório consular na 217 West 36th Street, em Nova Iorque, e até emitiu títulos públicos para financiar a construção da infraestrutura na ilha.[4][5][6][7][8][9][10]

História

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Em 1888, durante uma viagem pelo Atlântico Sul, James Harden Hickey, aventureiro norte-americano, genro de um grande magnata do petróleo, visitou a Ilha da Trindade. Julgando-a sem dono após explorá-la, Hickey dela tomou posse em seu nome, planejando ali fundar um novo Estado. Após refletir sobre o assunto por alguns anos, em setembro de 1893, em carta dirigida aos Ministros dos Negócios Estrangeiros "das grandes potências", o Harden Hickey proclamou-se "James I, Príncipe de Trindade" e anunciou a independência de seu pequeno principado insular, ato em razão do qual solicitava por meio da correspondência enviada às grandes potências o reconhecimento oficial do novo país.[11]

Como genro de um famoso empresário, suas pretensões de transformar a Ilha da Trindade em um país independente foram amplamente divulgadas na imprensa norte-americana, chegando a ser notícia de capa no jornal The New York Tribune. Apesar do autoproclamado monarca afirmar que diversas potências haviam reconhecido o seu principado, o anúncio foi ignorado por grande parte dos países, como a Suíça que rejeitou um pedido de adesão à União Postal Universal e a Inglaterra que, apesar de considerar a ilha sem valia, evitou se pronunciar.[12]

No Brasil, embora o anúncio tenha tido pouca repercussão na esfera governamental, chegou a ser tema de uma crônica de Machado de Assis: Se consultasse o meu desejo, iria para a ilha da Trindade. Pelo que leio, foi um cidadão norte-americano, casado, com uma linda moça de New York, que entrou pela ilha dentro, não achou viva alma, tomou conta do território e trata de colonizá-lo. Dizem as notícias que a ilha será um principado, e já tem o seu brasão; um triângulo de ouro com uma coroa ducal. Dizem mais que o posseiro já embarcou para a Europa, a fim de ser reconhecido pelas potências. Justamente o contrário do que eu faria; mas se os gostos fossem iguais, já não haveria mundo neste mundo".[13]

Harden Hickey nomeou seu amigo Conde de La Boissière como Chanceler do principado e estabeleceu uma chancelaria em Nova Iorque, para divulgar e defender os interesses de seu reino. O Príncipe James I começou a anunciar seus planos para transformar a Ilha da Trindade em uma futura "Bélgica da América"; em uma primeira etapa, contrataria um agente para recrutar mão de obra chinesa e construir a infraestrutura necessária para o estabelecimento dos primeiros colonizadores.[14]

De acordo com os planos de Hickey, o francês seria a língua oficial do principado. Para financiar o desenvolvimento do seu novo país, Harden Hickey passou a vender títulos a um preço de 200 dólares cada. Quem comprasse dez títulos teria o direito de viajar gratuitamente para a ilha, desde que concordasse em lá permanecer por um período mínimo de um ano.[15] Como estratégia de convencimento, possíveis investidores eram lembrados de que aqueles que primeiro se estabelecessem na ilha seriam, naturalmente, seus habitantes mais antigos, logo, formariam a privilegiada aristocracia do principado. Em um prospecto criado para atrair possíveis candidatos a súditos para o principado, além de informar que havia um tesouro pirata escondido na ilha.

Os planos de Harden Hickey, no entanto, foram bruscamente alterados com o anúncio de que a Ilha da Trindade havia sido ocupada em janeiro de 1895 pela Grã-Bretanha. O jornal The New York Times, no dia 18 de junho, publicou uma matéria comentando que o navio de guerra britânico Barracouta havia tomado posse do “reino insular do Barão Harden Hickey”. Nessa mesma reportagem, o jornal norte‑americano publicou uma entrevista com o Grande Chanceler do Principado da Trindade, Conde de La Boissière, na qual ele antevia que o Brasil não iria aceitar a ocupação britânica e declarava que esse fato constituía uma clara violação da Doutrina Monroe.[16]

Nomenclatura

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O nome original da ilha, Trindade, é sua variante no idioma português para "trindade". Trinidad é o cognato espanhol. Não está claro por que Harden-Hickley escolheu traduzir o nome do português para o espanhol, e não a língua inglesa. Mais cedo, a vizinha Ilha da Ascensão foi renomeada de seu nome original português Ascensão, quando passou a ser administrada pelos britânicos.[17]

Cronologia

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Em julho de 1895, os britânicos tentaram tomar posse desta posição estratégica no Atlântico, baseando a sua reivindicação em 1700 na visita do astrônomo britânico Edmond Halley.[2] Os britânicos planejavam usar a ilha como uma estação de cabo telegráfico.[2] No entanto, os esforços diplomáticos brasileiros, juntamente com o apoio português, pressionaram um pedido bem sucedido para a soberania brasileira, com base na descoberta da ilha em 1502 pelos navegadores portugueses.[17]

A fim de demonstrar claramente a soberania sobre a ilha, agora parte do Estado do Espírito Santo, um marco foi construído em 24 de janeiro de 1897.

Hoje em dia, a presença brasileira é marcada por uma base permanente da Marinha do Brasil na ilha principal.[18]

Ver também

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Referências

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  1. "To Be Prince of Trinidad: He Is Baron Harden-Hickey," New York Tribune, Nov 5, 1893, p 1
  2. 1 2 3 4 Bryk, William, News & Columns Arquivado em 30 de abril de 2006, no Wayback Machine., New York Press, v 15 no 50 (Dec 10, 2002)
  3. "Principality of Trinidad: John H. Flagler's Son-in-Law Is Its Sovereign, Self-Proclaimed as James I," New York Times, June 10, 1894, p 23
  4. "Mr. Hickey's Trinidad Invaded: Great Britain's Warship Barracouta Takes Possession of the Land While the Prince Is in California," New York Times, Jun 18, 1895, p 3
  5. "Trinidad's Prince Awake: An Appeal to Washington Against Brazil and Great Britain," New York Times, Aug 1, 1895, p 1
  6. "Grand Chancellor of Trinidad: Significant Phases in the Ascent of Male Comte de la Boissiere to His Elevated Diplomatic Post," New York Times, Aug 2, 1895, p 9
  7. "Trinidad's Case in Washington: Courteously, the Chancellor Would Permit Britain's Cable Station and Use It, but There Is Graver Trouble," New York Times, Aug 7, 1895, p 1
  8. "Trinidad's Diplomat in Action: M. de la Boissiere Asks that His Sovereign's Land Be Recognized as a Neutral Principality," New York Times, Aug 9, 1895, p 5
  9. "Trinidad's Prince at Work: Grand Chancellor de la Boissiere Tells How the War Between Great Britain and Brazil Will Be Averted," New York Times, Jan 24, 1896, p 9
  10. Flags of the World - Trindade and Martins Vaz Islands (Brazil)
  11. Idem, p. 22; JORGE, A. G. de Araújo. Ensaios de história diplomática do Brasil no regimen republicano: Primeira série (1889-1902). Rio de Janeiro: Jacintho Silva, 1912.
  12. MARSTON, 1984, op. cit., p. 224-5.
  13. ASSIS, Machado. A semana. Obra Completa de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, vol. III, 1994, p. 155.
  14. THE NEW YORK TIMES, Principality of Trinidad, 10 jun. 1894.
  15. DAVIS, 1906, p. 22.
  16. THE NEW YORK TIMES, Mr. Hickey’s Trinidad Invaded. 18 jun. 18
  17. 1 2 Milcham, Gordon (19 de junho de 2003). «El Príncipe de Trinidad». El Nuevo Cojo Ilustrado (em espanhol). Consultado em 15 de novembro de 2018. Cópia arquivada em 16 de junho de 2021
  18. «Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade». www.marinha.mil.br. Comando do 1º Distrito Naval - Marinha do Brasil. Consultado em 15 de novembro de 2018. Cópia arquivada em 7 de outubro de 2024